Malas diretas de muita má-fé

Instituições financeiras enviam para consumidores ofertas de crédito muito tentadoras

iG Minas Gerais | Angélica Diniz Especial para O Tempo |

Alerta. Coordenador do Procon, Marcelo Barbosa diz que CDC obriga empresa a dar informação clara
GUSTAVO ANDRADE / O TEMPO
Alerta. Coordenador do Procon, Marcelo Barbosa diz que CDC obriga empresa a dar informação clara

Bancos e financeiras enviam diariamente milhares de malas diretas contendo ofertas de crédito pessoal com segurança e rapidez. A tentação é grande para quem precisa, mas é necessário cuidado e atenção no momento da contratação do financiamento. As propagandas ressaltam o valor, as facilidades, mas costumam esconder os juros, que podem chegar a 733% ao ano, de acordo com dados do Banco Central.

A má-fé de algumas instituições financeiras é frequente não só com a ocultação das taxas, mas na hora de cadastrar ou disponibilizar serviços sem autorização. Uma cliente do banco Santander, que não quis se identificar, mostra a mala direta recebida recentemente em seu endereço. Na carta, constam em letras grandes o valor de R$ 23.200 pré-aprovado pela instituição e a facilidade para contratar o serviço. Na parte de baixo, em letras mínimas, o banco ‘sugere’ à cliente consultar as taxas de juros.

“Está errado”, alerta o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa. Ele explica que o Código de Defesa do Consumidor (CDC), no que diz respeito a oferta e apresentação de produtos, obriga que as empresas assegurem informações corretas, claras, incluindo preço, garantia e riscos para o consumidor. “Os artigos 30, 31 e 35 do código são claros. Quando a propaganda não trouxer informação sobre os juros cobrados, o cliente deve exigir o cumprimento forçado da obrigação, ou seja, solicitar o valor sem taxa alguma”, orienta.

Taxas “escondidas”. O músico Guilherme Amorim, 31, já recebeu assiduamente ofertas de crédito e confirma o perigo das propagandas. “Não posso dizer que as informações sobre juros não estão presentes, mas são sempre letras muito pequenas, frases com diversos asteriscos, mensagens pela metade. Tenho conhecimento de que os juros são altíssimos, mas essa informação nunca está facilmente à disposição. Só com um olhar cuidadoso para descobrir”, disse o músico.

O que diz o Santander. Em nota enviada à reportagem, o banco afirma que a carta enviada à cliente está “em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor, os normativos do Banco Central e também com as normas de autorregulação bancária exigidas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban)”. O Santander acrescenta que “todas as condições específicas da operação, como taxa de juros e Custo Efetivo Total (CET), podem ser obtidas previamente no canal em que o produto será contratado (internet banking, central de atendimento e agência).

Juros em BH

Elevação. Levantamento da Fundação Ipead aponta elevação das taxas em janeiro. Os juros para o crédito pessoal não consignado variam entre 3,27% e 4,47% ao mês na capital.

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