Angra tenta inovar, mas empaca na mesmice “Secret Garden” é o primeiro disco de estúdio com o vocalista italiano Fabio Lione Metal

“Secret Garden” é o primeiro disco de estúdio com o vocalista italiano Fabio Lione

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Nada novo sob o sol. Novo disco da banda parece projetar o ouvinte de volta aos idos de 2000
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Nada novo sob o sol. Novo disco da banda parece projetar o ouvinte de volta aos idos de 2000

O recém-lançado álbum “Secret Garden” marca mais uma nova etapa do Angra, a mais importante banda de metal melódico do Brasil. Desde a saída do vocalista André Matos, em 2000 – responsável por clássicos como “Angels Cry” (1993) e “Holy Land” (1996) –, o grupo capitaneado pelos ícones da guitarra Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt tem tropeçado entre discos fracos e mudanças abruptas de formação.

A última delas aconteceu após o show do grupo no Rock In Rio de 2011, o último com o vocalista Edu Falaschi, que anunciou sua saída da banda no ano seguinte. Mas, no caso, não se trata de uma tragédia – muito pelo contrário. Os falsetes cansativos e as baladas arrastadas do paulistano, que renderam os piores discos da biografia do Angra, deram lugar à potência vocal do italiano Fabio Lione, ex-vocalista da banda de metal melódico-medieval Rhapsody of Fire (uma das mais caricatas e exageradas do estilo). Lione assumiu o vocal do Angra em 2013 para fazer a turnê de comemoração de duas décadas da banda e depois seguiu com a trupe, formada hoje também, por Felipe Andreoli (baixo) e pelo estreante Bruno Valverde (bateria e percussão).

Na Suécia e com a nova formação, a banda entrou em estúdio para gravar “Secret Garden”, sob o comando de Jens Bogren e com pré-produção de Roy Z (conhecido por sua atuação ao lado de Bruce Dickinson, do Iron Maiden, e Rob Halford, do Judas Priest). O disco conta ainda com as participações das cantoras Simone Simons (Epica), da Holanda, e da alemã Doro Pesch. De fato, um time de peso, para fazer inveja em qualquer jovem banda de heavy metal.

Não há o que questionar quanto à qualidade técnica da produção do álbum. Tudo é muito profissional, da arte bem elaborada da capa às camadas e elementos que envolvem as canções. Acontece que as novidades param por aí: com relação ao som do disco, não há “nada de novo sob o sol”. A impressão é de estar passando por um delay temporal e ouvindo um álbum lançado nos idos de 2000. Falsetes, coros vocais, solos de guitarra, teclados góticos e linhas medievais de violino.

O que dá caldo para “Secret Garden” – além dos riffs marcantes de Loureiro e Bittencourt – são as músicas que têm uma pegada mais progressiva, lembrando os primórdios do Dream Theater, como “Newborn Me”. Os destaques mesmo são para “Final Light” e “Upper Levels”, que mostram que a renovação da banda passa pelo novo baterista, Bruno Valverde, e suas contribuições percussivas, que dão um tempero exótico à mesmice da banda. Outras músicas já mostram a influência latente de Lione, que, apesar do vozeirão, também parou no tempo como os colegas quarentões. “Black Hearted Soul” e “Perfect Symmetry” nos transportam direto para o barango castelo italiano do Rhapsody.

Quanto às baladas, como “Silent Call” e a faixa-título (cujo o vocal fica a cargo de Simmone Simons), o cuidado maior do ouvinte é prestar a atenção para não dormir ouvindo o disco. Afinal, não vale e correr o risco de cair no mesmo sono profundo que a criatividade do Angra.

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