Aventuras duchampianas na música contemporânea

Banda de multiartistas lança oitavo disco com título “revolucionário” e concepção do it yourself

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Espontaneidade. Madame Rrose Sélavy trata a música como a mais sublime das artes
dellani lima/divulgação
Espontaneidade. Madame Rrose Sélavy trata a música como a mais sublime das artes

Multiartistas em exercício da mais sublime das artes, a música. É assim que Rodrigo Lacerda Jr., guitarrista da banda Madame Rrose Sélavy define seu próprio ofício e de seus colegas de grupo. Eles acabam de lançar o oitavo disco da carreira, “Carnaval dos Bichos”, com direito a show na última Mostra Internacional de Tiradentes.

Rodrigo, ator, tem como colegas de banda Tuca (Dellani Lima), conhecido diretor de cinema, e a produtora Ana Moravi. Juntos eles exibiram em Tiradentes o premiado filme “O Tempo Não Existe no Lugar em que Estamos”, ocasião nada mais que perfeita para o debut, também, do disco novo. O grupo conta ainda com os baixistas Marcos Batista e Miguel Javaral, o guitarrista Alex Pix e o baterista Rodoxter Woorooboo.

A interdisciplinaridade, multiatividade artística, é coisa deles. Rrose Sélavy é uma menção a um pseudônimo de Marcel Duchamp e as referências às artes contemporâneas estão constantemente explícitas nos trabalhos do grupo, que se autodenomina irônico como o artista francês. “Não fazemos propositadamente, é inconsciente. Não só no sentido de ‘faça você mesmo’ (slogan punk), mas de se fazer você mesmo. Colocar-se. Trabalhar as próprias idiossincrasias na arte”, diz Lacerda Jr, que menciona Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, da Vanguarda Paulistana para falar de referências. “Não como inspirações musicais, mas no espírito de criar”, diz.

“Carnaval dos Bichos”, trocadilho abrasileirado com o clássico literário de George Orwell, traz o conteúdo revolucionário da obra para sua sonoridade, que tem “o improviso do jazz”, segundo Lacerda Jr. como marca. No álbum, definido como eletro frevo bossa punk, a sonoridade regional ganha peso com timbres eletrônicos. “Refletimos a esquizofrenia do homem moderno em nosso som. Tratamos a música como um ritual espiritual, quase religioso. É como uma missa”.

Mantendo a ideia de copyleft do Rrose Selavy, esse e todos os discos podem ser baixados em http://bit.ly/1y8XJDR ou http://bit.ly/15E2NT1

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