Em Bonfim, a folia vem a galope há 175 anos

Segundo o Corpo de Bombeiros, 10 mil pessoas assistiram o cortejo a cavalo pelas ruas da cidade

iG Minas Gerais | Lygia Kalil |

Cavalhadas relembram batalha entre mouros e cristãos em Bonfim (MG)
Lígia Calil / O TEMPO
Cavalhadas relembram batalha entre mouros e cristãos em Bonfim (MG)
O trânsito nas ruas de calçamento na entrada de Bonfim, cidadezinha de 7.000 habitantes na região Central do Estado, denuncia: o Centro está abarrotado de gente para a maior festa de Carnaval das redondezas.  Nesta época,a cidade recebe praticamente o número de sua população em visitantes. Se em outros municípios mineiros os bloquinhos é que dão o tom da festa, aqui a pegada é bem diferente. O Carnaval é comemorado a cavalo. Em 2015, a celebração completou 175 edições e, ontem, 10 mil pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros, assistiram ao cortejo. Vestidos em luxuosas fantasias de veludo bordadas com pedrarias, mascarados, 35 cavaleiros e 11 amazonas encenam uma batalha medieval, entre mouros e cristãos. Se na vida real o objetivo da guerra era a reconquista da Península Ibérica, no Carnaval a meta é bem mais modesta: só distribuir alegria ao público. Enquanto cavaleiros desfilam a montaria, os foliões retribuem com serpentinas, ao som de marchinhas. O Carnaval é a maior celebração popular da cidade, e os moradores esperam por ele o ano todo. A principal rua da cidade é fechada e toda enfeitada para receber a folia, que dura de domingo a terça-feira. Nascida na cidade, a professora Ana Lúcia Leite, 50, assistia ao desfile emocionada. "Meu filho está desfilando. É uma tradição muito antiga na família, meu bisavô já fazia parte. Ébonito isso, passado. Pai para filho, de avô para neto", diz.  A estudante Mariana Andrade, 28, trocou os bloquinhos de Belo Horizonte, onde mora, pela plateia do Carnaval a Cavalo. " É um clima muito diferente, mais ingênuo. Se na capital todo mundo vai mais é para beber cerveja e fazer bagunça na rua, aqui não vi nenhum excesso, é familiar, tem um astral leve", avalia.  Para o presente do Clube Carnavalesco de Bonfim, Leonardo Maurício Borges Silva, 40, embora sempre tenha sido um evento grande na cidade, o Carnaval da cidade tem crescido e ganhado maior repercussão. "Cda vez mais pessoas de fora descobrem nossa festa. É muito gratificante para nós, que nós esforçamos para organizá-la da melhor forma, para manter viva nossa tradição", declara. Segundo ele, para muitos cavaleiros é sacrificaste participar, já que só os bordados das roupas custa pelo menos três salários mínimos, com bordaduras da cidade. A preparação dos cavalos é tão importante quanto: "Eles são preparados durante o ano todo, porque têm que estar gordinhos, com pelo brilhante, e bem calmos, sem estresse", afirma. Se a tarde começou nebulosa, com ameaça de chuva, bastaram os primeiros trotes dos animais para o céu se abrir e o sol aparecer forte - e o calor inclemente espantou alguns da platéia, como o serralheiro Fábio Vicente da Cunha, 28. Junto com amigos, ele fugiu do sol e se refugiou em uma casa. Com som automotivo tocando alto arrocha, axé e funk, ele abriu mão de acompanhar a tradição por um hábito mais moderno. "Fico um pouco lá (no desfile) e aqui. Acho bonito, mas a música é mais divertida", comenta. 

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