Relato sobre o Galo da Madrugada

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

O bloco de carnaval Galo da Madrugada desfilou na manhã deste sábado (14), durante o Carnaval do Recife 2015, na cidade de Recife (PE)
ESTADÃO CONTEÚDO
O bloco de carnaval Galo da Madrugada desfilou na manhã deste sábado (14), durante o Carnaval do Recife 2015, na cidade de Recife (PE)

Como somos o país do Carnaval, é natural que o maior bloco do mundo estivesse por aqui. Mais precisamente, em Recife, com o nome Galo da Madrugada. Nos sábados da folia, uma média de dois milhões de pessoas desfilam atrás de trios elétricos e compõem um verdadeiro "mar de gente". Só para se ter uma noção, o Mineirão pode abrigar uma média de 60 mil pessoas, isso significa que o Galo da Madrugada abriga o equivalente a 33 estádios belo-horizontinos. 

Repórter, à trabalho, geralmente fica em camarote durante a folia, vendo tudo de cima, escrevendo textos e entrevistando pessoas. Mas dessa vez, a ideia é que eu me juntasse aqueles dois milhões de pessoas e experimentasse o que é fazer parte de um bloco que já foi até para o Guinnes Book. Já tinha tudo em mente: tênis confortável, água, protetor solar, alimentação leve e chapéu. O check-list falhou em: alimentação leve ( esqueci de comer, fato bem raro na minha vida), e protetor solar. Sai atrasada do hotel e, claro, não passei o danado. Fiquei com fome após uma hora atrás do trio, quanto ao sol, o chapéu tinha abas grandes. 

O que mais me chamou atenção foi a criatividade nas fantasias, um casal foi pra rua vestido de WhatsApp, um rapaz preferiu usar somente uma fralda de pano, outro fez um pau de selfie e, na ponta, colocou uma latinha de cerveja. Todos os heróis estavam reunidos, além da Miney, bruxas, fadas, dentre muitos outros. Só que para a ocasião, os trajes eram bem menores do que os convencionais.  Em muitos momentos, foi possível poupar o esforço da caminhada, porque eu era simplesmente levada pela multidão. Aliás, nunca vi tanta gente junta sem presenciar uma briga ou uma rusga. Gostei disso. O suor e os perfumes se misturavam, e, pasmem, ninguém estava nem aí. A galera continuava pulando e misturando cheiros, tanto, que entrei na dança. O que importava alí era se divertir. Todos cantavam bem alto o frevo e demonstravam uma paixão que só consigo ver semelhança no futebol. Idade também não era um problema, crianças de dois, três anos foram, sem chorar e se divertem jogando confete e purpurina.

O meu maior engano foi com relação a "pegação". Existem duas hipóteses pra isso: ou eu não "tô" com nada, ou no Galo da Madrugada não é lugar pra isso. O único rapaz que tentou me beijar foi um indiano de 17 anos que está fazendo intercâmbio no Brasil, o que foi muito engraçado. Após me dizer que veio pra cá por causa da comida e das meninas ele disse: eu queria um beijo seu. Imediatamente, eu repliquei: sou casada. O pobre indiano se curvou para me pedir desculpas e não sabia o que fazer. Não que eu queria que todos os homens do bloco se arrastassem aos meus pés, mas eles não ficam agarrando as moças o tempo todo e mostrando que o único objetivo é colecionar beijos. Pode ter sido só uma impressão, mas, de todo coração, espero que não. Uma festa em que as pessoas se fantasiam pra cantar, pular e extravasar é linda demais pra ser estragada por "colecionadores de beijos".

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