Executivos presos pressionam defesas

iG Minas Gerais |

As informações do doleiro Alberto Youssef envolvem José Jatene
.ESTADÃO CONTEÚDO - 18.10.2005
As informações do doleiro Alberto Youssef envolvem José Jatene

Curitiba. Três meses depois de serem presos, empresários e executivos que dividem as celas da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, acusados de formar cartel, pagar propina e inflar os preços de obras da Petrobras, já não sentem apenas sinais de depressão e ansiedade. Azedaram as relações deles com muitos de seus defensores. Advogados de renome, que fecharam contratos milionários – e deram a seus clientes a impressão inicial de que poderia ser fácil tirá-los da cadeia –, agora ouvem uma pergunta à exaustão: “Se o Renato Duque (ex-diretor da Petrobras) está solto, e eu? Por que estou aqui?”

A cobrança feita aos advogados é generalizada. Quando tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça Federal em Curitiba, alguns empresários deram a seus defensores prazos curtos. “Quero sair em até uma semana”, era uma das declarações mais comuns. Choveram pedidos de habeas corpus, e nada feito.

Duque, acusado de ter operado bilhões em propinas, conseguiu ficar livre. Polícia Federal e Ministério Público Federal argumentam que as provas contra Duque são mais difíceis. A maioria das contas no exterior não estava em nome dele, e é preciso que chegue ao Brasil o rastreamento do dinheiro lá fora. Para os que estão presos, isso é só um detalhe.

Ainda que o tom seja de elegância, não são poucos os advogados que ouvem de seus clientes que “são muito eficientes, mas pouco eficazes”. Muita promessa, mas nada de irem para casa.

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