Teias artificiais superpotentes

Pesquisa brasileira aguarda pelo interesse de empresas para colocar produtos no mercado

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Avanço. O pesquisador da Embrapa, Elíbio Rech, desenvolvedor da teia de aranha sintética
Wilson Dias/Agência Brasil
Avanço. O pesquisador da Embrapa, Elíbio Rech, desenvolvedor da teia de aranha sintética

Nada que o homem já se propôs a desenvolver conseguiu ter ao mesmo tempo resistência e flexibilidade semelhantes às características das teias de aranhas. Difícil imaginar que algo tão frágil aos olhos humanos possa, em um futuro próximo, ser tão importante e com inúmeras aplicações, principalmente na ciência e na medicina.

Mas o fato é que essas propriedades têm chamado a atenção de cientistas, que vêm se debruçando em estudos em todo o mundo. Um deles é o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Elíbio Rech, que conseguiu desenvolver fibras sintéticas em laboratório. “Colhemos sete aranhas da nossa biodiversidade (região amazônica, Mata Atlântica e Cerrado) e investigamos quais genes estariam relacionados à produção da teia, para que sejam produzidas sem as aranhas. Dessa forma, conseguimos fazer uma teia mais resistente e menos flexível, ou vice-versa, apenas usando a engenharia genética”, explica.

Após mais de dez anos de estudos e com esse desafio laboratorial superado, o pesquisador diz que “nunca mais será preciso ir até a mata coletar aranhas”, preservando assim, a biodiversidade de forma sustentável.

O próximo passo, então, é produzir esses fios de proteína em larga escala para ser usados como matéria-prima na fabricação de vasta quantidade de produtos, como equipamentos esportivos, fios biodegradáveis para sutura cirúrgica, coletes à prova de balas mais leves, para-choques de automóveis, aviões e até cosméticos. (Veja infográfico)

Futuro. Na técnica utilizada por Rech, bactérias e sementes de soja foram utilizadas como biofábricas. Já o grupo da University of Utah, comandado por Randy Lewis, fez o mesmo com leite de cabra. Nos dois sistemas, a molécula foi extraída ao fim do processo e transformada na fibra.

Em todos os casos, o custo do processo ainda é bastante elevado. Rech não soube precisar o valor exato, mas estima que pelo grande interesse de países, como Estados Unidos, China e Alemanha, produtos feitos de teia de aranha não estão muito distantes.

“Podemos vislumbrar alguma coisa em torno de cinco a dez anos, mas tudo depende dos investimentos em pesquisas que facilitem o escalonamento e reduzam o custo de produção. Nossa missão foi desenvolver a tecnologia e disponibilizar”, afirma o pesquisador.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave