Combatendo o cansaço mental (2)

iG Minas Gerais |

Resumindo o que foi dito na semana passada, respeitando a ressaca dos foliões e compreendendo os que fogem, às léguas, de batucadas, machões transvestidos e bêbados, bafo de cerveja e odor de urina, definimos que nunca antes na história deste planeta a mente humana foi tão mal usada na sua função de emitir energia para pensar, sentir e desejar. É que o coitado do cérebro, que é um transmutador que milagrosamente transforma eletricidade e neurotransmissores em consciência, fruto desses pensamentos, sentimentos e ações, mas que anda “batendo pino”. O pior é que o conteúdo do que pensamos e sentimos é da pior qualidade, remoendo o passado, inutilmente, projetando um futuro horroroso que nunca existirá. Bem, o presente é o que lemos e assistimos, e haja mensalão e petrolão, passando por falta de água, apagão e a vaca tossindo. E como a vida é bela! Se não, vejamos algumas dicas: Primeiro: desvio de foco, eu e minha realidade: sou o meu conteúdo mental, o diretor do meu filme diário, o autor do meu “querido diário de bordo”. A cada dia, escolho meu enredo, o cenário, os personagens que comporão a minha história. Sim, existem milhões de possibilidades, das mais trágicas, angustiantes, sofridas e violentas, até as mais divertidas, aventureiras, dramáticas ou sem graça. Engraçado como não nos apercebemos disso e fazemos tudo sempre igual, reclamamos de tudo e, como não podemos escrever nem dirigir histórias alheias, vem a chatice de reclamar de cônjuges, filhos, colegas de trabalho. E ser eternamente figurante na vida dos outros, que aliás não estão nem aí para sua reclamações, jogos de culpa, vitimização e chantagens emocionais. Não nascesse! Havia 250 milhões de espermatozoides concorrendo contigo. Você foi competente para vencer a corrida pela vida, mas que incompetência para usufruí-la! Vá ao cinema, escute aquelas músicas, leia um bom livro, liberte-se. Preocupação mata todo dia a alegria de viver! Segundo: recicle conceitos. Em que você mais pensa diariamente? Já se deu conta? Fechou para balanço? Pois, se eles lhe conduzem a uma sensação de prazer e satisfação, sensação de recompensa, provavelmente seu cérebro estará inundado de ópios naturais, como a dopamina, euforizantes que aumentam sua capacidade de produzir, se apaixonar e se ligar. Sendo contínuo, outro hormônio chamado oxitocina lhe fará empático, amoroso, desejoso de exercer a cidadania, o bem coletivo. Relaxar é desacelerar, é, assim, interagir com a energia que nos transcende. Mas é impossível tal estado quando existe culpa, medo, ansiedade, ciúme, inveja ou raiva. Os escravos desses sentimentos são os mais infelizes, pois precisam reciclar pre-conceitos e culturas religiosas radicais, criações familiares rigorosas, culturas e meio ambientes opressores, por exemplo. Quando ouço expressões do tipo “entrega pra Deus, Deus te acompanhe, te proteja” e logo depois vejo a mãe grudada no celular ou em claro até o filho voltar, eu penso que se pelo menos elas realmente introjetassem tais crenças, relaxariam com a fé verdadeira. Terceiro: voltar ao tempo real. Ok, tenho muito a dizer e é pouco espaço, por isso separei questões mais relevantes e deixei essa para o fim, pois sou um dos últimos moicanos. Sei que pessoas como eu estão em extinção, ou posso ser convocado para ser um pequeno Google pós- falência do mundo tecnológico em 2028, em que a humanidade, segundo Einstein, teria a terceira guerra mundial, não com bombas atômicas, mas com paus e pedras. Aí vai: tente voltar um pouco para o mundo real. Que tal desintoxicar gradualmente do excesso de tecnologia? Comece pelos fins de semanas. Desligue o celular, evite telas. Leia um livro, saia de casa ao pôr do sol, faça coisas diferentes, veja um bom filme, vá a uma praça para ver pessoas, visite uma cidade do interior com cachoeira, sei lá. A amiga antiga, uma piada nova, a tia velha, o bebê da prima, o sorvete de manga, o tapete arraiolo, soltar papagaio, ser mais humano, ser criança de novo...

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