Colocando a mão na massa

Gugu Liberato ficou quase dois anos fora do ar, quando rompeu seu contrato com a emissora de Edir Macedo

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Liberdade. Gugu destaca que o fato de produzir o programa lhe permite mais liberdade criativa na nova atração
Isabel Almeida/czn
Liberdade. Gugu destaca que o fato de produzir o programa lhe permite mais liberdade criativa na nova atração

A voz calma e o discurso bem elaborado de Gugu Liberato tentam a todo custo disfarçar sua ansiedade. Aos 55 anos e com mais de 30 dedicados à televisão, ele vive um momento novo na carreira. Depois de muitos anos na briga pela audiência de domingo, o apresentador volta ao ar no dia 25 de fevereiro, com “Gugu”, programa exibido pela Record também às quartas e quintas. A produção resgata a relação de Gugu com a emissora, de onde saiu em 2013 por conta da baixa audiência e do alto custo de produção do dominical “Programa do Gugu”. No entanto, o novo contrato surge modificado: a Record e o apresentador serão sócios na empreitada, dividindo gastos e lucros. “Volto muito feliz para a Record. Sempre tive uma ótima relação com a direção da emissora. Com apenas um almoço fechamos o meu retorno à emissora, mas o produto que vamos mostrar é fruto de muito tempo de criação. O novo programa vai juntar o melhor que já fiz e caprichar nas novidades”, diz. Apaixonado por televisão, Gugu estreou no veículo como assistente de produção em meados dos anos 70. Por conta das ideias e do jeito espontâneo, virou aposta de Silvio Santos e se tornou um dos principais apresentadores do SBT, comandando programas como “Viva a Noite” e “Domingo Legal”. Até que, na busca por novas possibilidades para a carreira, assinou com a Record, em 2009. “Não sou de ficar parado. Troquei de emissora na busca por renovação”, conta. Você ficou quase dois anos longe dos estúdios de TV. Como encara essa retomada? Não foi nada fácil ficar distante do que eu mais gosto de fazer. Sou um bicho de TV. Foi complicado não fazer por tanto tempo o que eu já estava acostumado. Essa volta foi muito esperada e ela acontece de forma especial. Pela primeira vez, a responsabilidade de produzir está nas minhas mãos. “Gugu” é feito e transmitido a partir dos estúdios da GGP, produtora de sua propriedade, com custos e faturamento divididos entre você e a Record. Quais os prós e contras desse tipo de vínculo? Para o mercado atual, é o contrato mais justo. E é claro que me dá uma liberdade de trabalho grande. Colocar minha produtora e meu estúdio para funcionar é algo que sempre quis. E, no tempo que fiquei fora do ar, alimentei bastante essa minha porção empresário. Investimos nos melhores equipamentos e instalações com o intuito de produzir não apenas o meu programa, mas criar conteúdo para a emissora. Essa independência aumenta sua preocupação com a audiência?  A audiência é muito importante e é uma das minhas grandes preocupações. No entanto, acima dela está a vontade de fazer um programa de qualidade e que agrade ao público. Ninguém faz TV aberta sem se preocupar com as massas. Estou acostumado com a disputa de domingo, uma das mais acirradas da televisão. O público do novo programa é parecido, mas, hoje em dia, está mais ávido por novidades, interatividade e novos conteúdos. E quais suas armas para atrair seus antigos espectadores e conquistar novos? O programa vai revisitar algumas coisas do passado que deram muito certo e ainda têm apelo com o público, como passear de táxi e saber das histórias de quem entrar no carro. De novidade, teremos o “Estação Rodoviária”, onde vamos pegar um ônibus e embarcar na viagem e na vida de passageiros anônimos. E ainda vamos apresentar uma competição de dança com famosos, mas diferente e irreverente de uma disputa comum. Na tentativa de tornar sua faixa noturna mais competitiva, a Record ofereceu a você um programa diário, de segunda a sexta. O que o levou a fechar apenas três dias na semana?  Cada programa terá duas horas de duração. Eu e minha equipe achamos que seis horas por semana seria o ideal para criar um programa com criatividade constante, sem cair na mesmice e repetição. Ficar no ar todos os dias seria inviável para eu tocar meus outros negócios, além de um exagero. As pessoas poderiam enjoar de mim (risos).

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