Conselho reprova e balanço da Usiminas não é divulgado

Ações da siderúrgica tiveram nesta sexta desvalorização de 1,64%

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Fumaça.
 Conselho de administração da Usiminas não aprovou demonstração financeira da empresa
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Fumaça. Conselho de administração da Usiminas não aprovou demonstração financeira da empresa

A Usiminas cancelou a divulgação do balanço de 2014, que aconteceria nesta sexta. No comunicado ao mercado, a companhia informou que o conselho de administração reprovou, na noite de quinta-feira, além da demonstração financeira relativa ao ano passado, o relatório de administração e a proposta de pagamento de dividendos.

Com isso, as ações preferenciais da empresa mineira tiveram desvalorização de 1,64%, chegando a R$ 3,60. As ações ordinárias tiveram perda de 2,73%, sendo cotadas no valor de R$ 21. O coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila, disse que a suspensão de um balanço prejudica a imagem da empresa no mercado, já que causa desconfiança do investidor. “Para ele, é um sinal de que há algum problema na companhia. Logo, as ações acabam caindo”, observa.

O especialista em mercado de capitais Alexandre Andrade ressalta que a suspensão de balanços, hoje mais comuns, mostra que há algo errado. “Quando uma empresa adia o balanço, acende a luz amarela e mostra que há conflito na companhia. Vale lembrar que Petrobras também deixou de publicar o balanço”, diz. Na última quinta-feira a Petrobras informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pretende divulgar o balanço anual auditado até o final de maio.

No caso da siderúrgica, conforme uma fonte que pediu para não ser identificada, nenhum dos nove conselheiros aprovou o demonstrativo financeiro do quarto trimestre de 2014 durante uma reunião de três horas realizada quinta-feira. A divulgação estava marcada para antes da abertura do mercado.

Para resolver o impasse do balanço, Ternium e Nipppon, as maiores acionistas da Usiminas e que estão em litígio desde o fim de setembro do ano passado, quando o grupo japonês acusou a Ternium de pagar benefícios indevidos para três executivos da companhia, devem marcar uma reunião extraordinária em breve, segundo outra fonte do mercado. Entretanto, ainda não foi definida a data. A Usiminas tem até março para publicar o balanço. 

Sem resposta

Posição. Procurada pela reportagem, a Ternium não se manifestou. O mesmo aconteceu com o presidente do conselho de administração da Usiminas Paulo Penido, nome indicado pela Nippon.

ArcelorMittal tem prejuízo de US$ 955 Londres, Inglaterra. A ArcelorMittal apresentou um prejuízo líquido de US$ 955 milhões no quarto trimestre de 2014, depois de ter registrado um prejuízo de US$ 1,23 bilhão em igual período do ano anterior. A empresa divulgou nesta sexta o balanço trimestral. O resultado surpreendeu o mercado, que esperava lucro líquido de US$ 422 milhões. Com a queda dos preços do minério de ferro, as vendas da companhia nos últimos três meses de 2014 caíram 5,7% em relação a 2013.

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