A emoção está de volta

iG Minas Gerais |

Finalmente, na semana que vem, o futebol brasileiro vai começar a proporcionar alguma emoção aos torcedores, com o início da Libertadores para as equipes nacionais, tirando o Corinthians, que passou com facilidade, portanto sem emoção, pelo Once Caldas, da Colômbia, na pré-Libertadores. Os pequenos e médios times dos principais Estaduais no país que me desculpem, mas eles estão/são muito ruins, mesmo os de São Paulo, que costumavam dar algum calorzinho nos grandes, mas parece que isso não vai acontecer neste ano, embora ainda seja o campeonato regional que contém algumas equipes que não passam tanta vergonha diante das maiores. Já no Rio de Janeiro e em Minas Gerais é de dar dó. A diferença técnica entre os grandes e os pequenos é, cada vez mais, assustadora. No Rio, é ainda mais gritante, acho que reflexo da desorganização e do improviso inerentes ao futebol fluminense, que tem dirigentes de clubes que aceitam uma cláusula, inconstitucional, por sinal, que prevê punição pecuniária para jogadores, técnicos e cartolas que falem mal do Carioca. Coisa de presidente de federação que se acha acima da Constituição e não tem a mínima assessoria jurídica. Ou melhor, deve ter, mas para dizer o que ele quer ouvir. Voltando ao campo, Cruzeiro e Atlético entram na Libertadores em situações diferentes, com o Galo muito mais entrosado, pois trocou menos peças do grupo campeão da Copa do Brasil. Já a Raposa é outra equipe em relação a do bicampeonato brasileiro. Só que o Cruzeiro tem uma chave muito mais fácil na primeira fase do que a do Atlético, e vai poder se encontrar durante essa etapa da competição, na qual tem obrigação de passar, e em primeiro lugar do grupo, que é muito fácil mesmo. Já os adversários do alvinegro têm muito mais tradição no continente, além da maratona que o elenco irá enfrentar com as longas viagens, mas a obrigação de passar pela primeira fase é a mesma, ainda que seja com muita emoção, como é do feitio do Galo. Quanto aos outros brasileiros na Libertadores, o Corinthians é o mais forte. É impressionante como o técnico Tite arrumou o time em pouco tempo que está de volta ao comando. Os caras correm o tempo todo, marcam o tempo todo, comem grama pelo técnico, que sabe, mais do que ninguém, o caminho das pedras no Timão. Mesmo não tendo nenhum craque, exatamente como o time campeão de tudo em 2012, a equipe é muito sólida, e uma das mais chatas de se enfrentar. Quanto a São Paulo e Internacional, são boas equipes, com bons elencos, mas o tricolor tem duas diferenças e tanto: Muricy Ramalho como treinador e jogadores mais decisivos, como Ganso e Luis Fabiano. Mesmo com os gigantes argentinos na competição, Corinthians e Atlético são os favoritos ao título. Só que muita coisa pode acontecer, até o Cruzeiro encaixar todos os bons jogadores que contratou e se tornar um dos favoritos também. Por fim, será muito legal, mais uma vez, ter as duas principais equipes do Estado juntas na Libertadores, o que aconteceu pela primeira vez na temporada passada. Isso mostra que a grande fase do futebol mineiro continua. Ser campeão é uma consequência do bom trabalho, que está sendo feito por Cruzeiro e Atlético, mas o simples fato de os dois estarem na segunda mais importante competição interclubes do mundo é uma constatação de que o caminho está mais do que certo para os gigantes de Belo Horizonte.

Reformulação. Não sou contra os Estaduais. Até por isso eles precisam ser repensados, para que não acabem pelas próprias pernas, ou pela falta delas. Pode demorar, mas, hora dessas, Flamengo, Botafogo, Internacional, Grêmio, Atlético, Cruzeiro, Bahia, Vitória, Palmeiras, Santos, Sport, Náutico vão ter que abrir de perder dinheiro jogando essas competições, que só atendem aos interesses políticos dos perpétuos presidentes de federações.

Fórmula. Quanto a como esses regionais deveriam ser, não tenho uma ideia definitiva, pois precisariam atender a todo mundo, algo muito difícil desde que o mundo é mundo. Mas tem muita gente boa que pode ser consultada para que se chegue a um denominador comum. Para quem defende o modelo atual, sob o pretexto de que o fim dos regionais seria a morte dos clubes pequenos, acho que devem perceber que esses clubes já agonizam. É preciso salva-los, mas como?

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