Loucura o ano inteiro

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“Celebramos a arte, prezamos a cultura. A ideia é transcender, quebrar regras, incendiar os espíritos e colocar os insanos pra dançar”
Uarlen Valério
“Celebramos a arte, prezamos a cultura. A ideia é transcender, quebrar regras, incendiar os espíritos e colocar os insanos pra dançar”

Sábado de Carnaval. Blocos pululam por Minas Gerais. Em Tiradentes, sob o comando de Dudu Fonseca, o Insanidade deve reunir 1.500 foliões – vestidos com camisas de força – hoje, a partir das 17h, em concentração na Casa da Insanidade. Nunca ouviu falar dessa doideira? Dudu explica. Afinal, “louco é quem me diz... E não é feliz”.

Dudu, Casa da Insanidade Mental. Que bicho é esse? Saiu de Barbacena, terra dos loucos?

A Casa da Insanidade surgiu há 15 anos, em Tiradentes. A gente fazia as festas após a exibição dos filmes na Mostra de Cinema. A Casa cresceu e virou ponto de encontro. Alguns artistas e chefs (principalmente na época do festival gastronômico da cidade) até dormem lá.

Como surgiu esse nome? Foi mesmo de uma pichação de vizinhos na casa de sua família?

Na verdade, a pichação no portal apareceu após os vários elogios sobre nossa conduta nas festas da casa que herdei de meu avô. Todos diziam que só havia loucos lá dentro.

Morde, pica é perigosa? Qual é o propósito dessa grife?

Se morde, pica, eu não sei... Mas a gente pode ser um perigo, sim. A Insanidade acabou se tornando uma grife sem querer. Nenhum produto nosso é vendido, para ganhar tem que ser insano de verdade.

Depois da notoriedade em Tiradentes, como a Insanidade chegou em Belo Horizonte?

Após alguns festivais em Tiradentes, a gente teve a ideia de trazer a Insanidade para BH. Foi numa quinta-feira chuvosa e tinha fila na porta da boate. As festas da Insanidade vão até o amanhecer. Não é mais uma modinha, pelo contrário. Celebramos a arte, prezamos a cultura. A ideia é transcender, quebrar regras, incendiar os espíritos e colocar os insanos pra dançar. A próxima acontece em março.

E as noitadas após os festins do Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, com presença de chefs e demais “fios desencapados”?

Nossas festas ficaram tão conhecidas por todo mundo, que alguns chefs falam que se não tiver a Festa da Insanidade, nem vão para Tiradentes.

Hoje vocês têm projetos culturais e sociais. Os sociais são inusitados e com gente inusitada. Vale tudo? As pessoas/empresas não têm preconceito em apoiá-los, via lei de incentivo?

Hoje, depois de muito lutar e apanhar por preconceito pelo nome e caras pintadas de preto, sim, somos apoiados pelo governo, por meio da lei de incentivo e outros patrocinadores que acreditam que nós da Insanidade temos um conceito verdadeiro.

E o lado social, passa por onde?

A Insanidade hoje conta com 20 atletas e duas comunidades, que estamos sempre ajudando.

Há também o espaço gourmet, na Raja Gabaglia, onde você comemorou aniversário esta semana. Qual é a ideia do local? Artistas fazem parte do menu?

O ateliê gastrô virou um pedaço físico da Casa da Insanidade em BH. Lá, a gente faz questão de juntar políticos, músicos, jornalista, chefs... Mas, claro, o quesito principal é ser insano.

O futuro é uma ONG?

Depois de ver o caminho a trilhar, como a gente pode ajudar se transformando em ONG, demos entrada nas papeladas para começar esse novo projeto social.

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