Despedida de Tomie Ohtake

Familiares, amigos e anônimos compareceram ao velório da artista, que terá uma mostra inédita no mês de abril

iG Minas Gerais |

Solenidade. Coral da Orquestra Sinfônica de São Paulo prestou uma homenagem à artista
PETER LEONE
Solenidade. Coral da Orquestra Sinfônica de São Paulo prestou uma homenagem à artista

São Paulo. Nas primeiras horas do velório de Tomie Ohtake, ontem, cerca de mil pessoas foram ao centro cultural que leva seu nome, na zona Oeste de São Paulo, para se despedir da artista, morta aos 101 anos na última quinta-feira (12).

Filas se formavam para cumprimentar Ricardo Ohtake, filho de Tomie e diretor do Instituto Tomie Ohtake, e Ruy Ohtake, arquiteto e também filho da artista. Diante do caixão com o corpo de Tomie, estavam sentados seu neto, o arquiteto Rodrigo Ohtake, e sua mulher, Ana Carolina Ralston.

“Os filhos estão ligados à arte também. Eu tenho um irmão que é arquiteto e sou designer gráfico. A gente recebe todos os dias influxos dela”, disse Ricardo Ohtake.

Estiveram no velório artistas plásticos como Regina Silveira, Jac Leirner, Maria Bonomi, Sérgio Romagnolo, José Resende, Lia Chaia, Cássio Michalany, entre outros. Historiadores e críticos de arte, como Aracy Amaral, Paulo Venancio Filho, Jacopo Crivelli Visconti, Lilia Moritz Schwarcz e Miguel Chaia, também prestaram as últimas homenagens a Tomie.

O coral da Orquestra Sinfônica de São Paulo prestou homenagem à artista. Autoridades, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e pessoas anônimas acompanharam a cerimônia. Após o velório, o corpo da artista foi levado para Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, para ser cremado em cerimônia reservada à família.

Mostra. Nos últimos meses de vida, Tomie Ohtake pintou uma série de telas brancas, mas voltou atrás em algumas delas, cobrindo as composições com tons de vermelho vivo.

“Ela se assustou quando viu tudo branco”, lembra o crítico Miguel Chaia, amigo da artista, que passou as últimas horas ao lado de Tomie. “No hospital, ela dizia que tinha que sair logo para voltar a pintar e voltar para a cor”.

Essas telas, que Chaia vê como um “testamento” deixado por Tomie, estarão numa mostra em homenagem à artista marcada para abril no Instituto Tomie Ohtake. Em Londres, oito pinturas dos anos 70 e 80 da artista serão expostas na feira Frieze Masters, em outubro, evento que já estava marcado antes de sua morte.

No velório da artista, amigos e parentes de Tomie contaram que ela seguiu trabalhando até dezembro do ano passado, quando começou a adoecer e ficou fraca demais para continuar pintando.

“Quando ela não conseguia mais pintar, começou a dizer que queria morrer. A vida para ela era a obra dela”, dizia Nara Roesler, galerista da artista. “Ela disse que as últimas obras foram as mais difíceis que fez na vida”, completou.

Uma parte dessa última leva de telas, quase todas monocromáticas, foi exposta em outubro passado na filial carioca da galeria Nara Roesler.

Mas desde que começou a ter dificuldades para respirar e a sofrer com uma pneumonia, Tomie dizia aos filhos e à nora, Marcy Junqueira, mulher de Ricardo Ohtake, que já tinha “chegado a hora”.

“Ela estava bem até os 100 anos, mas quando fez 101, em novembro passado, cismou que já era demais”, lembra Marcy. “Não tinha ansiedade nem culpa na vida dela. Ela estava calma, zen. Não tinha medo de morrer. Era um exemplo de paz”.

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