Telas e teclados sensíveis ao toque afetam o aprendizado

Conclusão é de estudo feito na Universidade de Bloomington (EUA)

iG Minas Gerais |

Londres, Inglaterra. Uma pesquisa norte-americana publicada pela Rede BBC revela que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez da escrita à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças.

A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.

Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar esse desenvolvimento, a pesquisadora analisou crianças que ainda não sabiam ler – que poderiam ser capazes de identificar letras, mas não sabiam como juntá-las para formar palavras.

No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes, enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado. A pesquisa testou a capacidade das crianças de aprender as letras; mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.

O cérebro das crianças foi analisado antes e depois do treinamento, e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigênio no cérebro para mensurar sua atividade.

Diferenças. Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende por meio da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as em um teclado.

As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever.

Esse não foi o caso com as crianças que usaram o teclado. O cérebro parece ficar “ligado” e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler.

“Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por esse processo”, disse James.

Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.

Escolas. Muitas escolas têm pressa em implantar computadores em classes com crianças cada vez mais jovens. As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais.

“Em partes do mundo há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isso (a pesquisa) pode atenuar (esta tendência)”, disse Karin James.

Muitas escolas norte-americanas até já transformaram escrever à mão em uma alternativa opcional para professores. Muitos educadores não ensinam mais caligrafia.

Uma solução poderia seria usar algum programa em um tablet que simulasse o ato de escrever à mão. Mas, pelo que a pesquisa da cientista sugere, nada parece substituir o aprendizado com a escrita convencional.

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