Mineiros contam como enfrentam a saudade do Carnaval

Distância do país natal costuma a se agravar durante a temporada de festas que marca nossa cultura

iG Minas Gerais | Felipe Castanheira |

Entre os grupos presentes na reunião, estavam os organizadores do Praia da Estação, que ajudaram a elencar as três demandas que serão apresentadas à Prefeitura de Belo Horizonte
CRISTIANO TRAD / OTEMPO 22/01/1
Entre os grupos presentes na reunião, estavam os organizadores do Praia da Estação, que ajudaram a elencar as três demandas que serão apresentadas à Prefeitura de Belo Horizonte

Escrito na Inglaterra em fevereiro de 1939 por Vinicius de Morais, o Soneto de Carnaval começa com um verso que fala da saudade:

Distante o meu amor, se me afigura O amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura Não pensar é matar meu pensamento.

Muitos dos brasileiros que moram longe de sua terra natal renovam este sentimento tão típico de nossa gente e que não tem tradução para nenhuma outra língua. Renato Meireles completa este ano seu quarto Carnaval longe da festa. Morando na Austrália desde outubro de 2011, ele lembra das diversas folias pelas quais passou: Diamantina, Abaeté, Capitólio, Rio de Janeiro, Formiga e até em São Francisco do Sul, em Santa Catarina. 

Com 32 anos e uma filha de oito meses, Renato conta que gostava de se fantasiar e encarnar o personagem, de falar com todos nos blocos, ruas, camarotes e onde mais tivesse gente. "O mais legal é ter uma fantasia, pois as pessoas ficam mais simpáticas e adoram mexer contigo e brincar se você tem uma fantasia legal", conta. Com a memória das festas antigas e esperança de um dia trazer a filha para curtir as comemorações ele enfrenta a saudade desta época tão especial para ele.

Ele diz também sentir falta de estar com os amigos e conta que muitos deles estão mais quietos e alguns até preferem ir para sítios e não ficar tão perto da bagunça. "Tem uma galera que já casou e por isso não vê muita graça em Carnaval", conta antes de emendar: " O pessoal se engana achando que carnaval é só pegação. Carnaval é alegria, é poder conversar com um estranho e receber um sorriso".

Perguntado se pensa em voltar para o Carnaval trazendo a família, Meireles se anima e diz ter vontade que filha conheça "nossa cultura" e aprenda o que é "festa boa de verdade".

Já a belo-horizontina Júlia Almeida, que desde de novembro de 2012 mora em Paris, aproveitou a oportunidade para matar a saudade da folia e dos amigos e ainda trazer o marido, o francês Thomas Trichet para conhecer o que é o Carnaval. Ela conta que pretende sair para os blocos sem a obrigação de sair todos os dias.

Júlia diz que entre as vantagens de aproveitar a festa na cidade onde morou por tanto tempo está a comodidade de poder estar em casa e rever amigos. Mata duas formas de saudade de uma vez só. Trazer o marido foi uma forma de apresenta-lo a festa e desfazer a imagem de que o carnaval no Brasil é o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Thomas teve seu primeiro contato com a festa durante o pré-carnaval do Mama na Vaca e conta ter participado menos como um folião e mais com um olhar antropológico. Artista circense e acostumado a se apresentar na rua, ele conta que lhe chamou a atenção ver como esta é uma organização popular, com pessoas organizando blocos, gente fazendo música e com fantasias das mais diversas, vendendo cerveja e brincando em uma estrutura feita por quem faz a festa, algo muito diferente do que pensava.

Nesta sexta-feira os foliões começam a matar a saudade de antigos carnavais e se preparam para pular nos vários carnavais que se espalham por Minas. Estranhamente também se preparam para na quarta-feira de cinzas já estarem com saudades do carnaval do ano que vem...

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