Fim da verba indenizatória é aprovado em primeiro turno na Câmara

A proposta será apreciada em segundo turno em março, para então começar a valer de fato

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou na tarde desta sexta-feira (13), aprovou, em primeiro turno, por maioria absoluta, o fim da verba indenizatória. O projeto de resolução que determina que os R$ 15 mil a que cada vereador tem direito por mês será licitado foi colocado no início deste ano como prioridade pela Casa. Com o placar de 31 votos a favor e nenhum contra, o fim da verba indenizatória foi aprovada. A proposta será apreciada em segundo turno em março, para então começar a valer de fato.

Balcão de negócios

O clima de balcão de negócios na base de Marcio Lacerda (PSB) foi escancarado na sessão desta sexta-feira, na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Conforme vem noticiando O TEMPO, os parlamentares da situação reclamam de não ter tratamento privilegiado no Executivo. O vereador Henrique Braga (PSDB), vice-presidente da Casa, e membro da base, afirmou que não vota mais com os aliados porque a prefeitura não liberou a verba considerada ideal por ele para a realização de uma festa evangélica, coordenada pelo tucano. Após os momentos de negociação, o projeto que determina o fim da verba indenizatória entrou agora pouco na pauta da Casa.

“Não votarei nenhum projeto do Executivo que envolva dinheiro, como empréstimos ou o ITBI (projeto de aumento do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis)”, afirmou Braga. “Vou também trabalhar com colegas para não votar. Na prefeitura só funciona com pressão não vamos votar nada”, completou. O vereador tucano conclamou que todos os colegas evangélicos para também obstruir a pauta até que a prefeitura recebesse o grupo para uma conversa. Segundo Braga, o município ofereceu “apenas” R$ 15 mil para o evento, que, segundo ele, é orçado entre R$ 450 mil e R$ 500 mil. Ainda de acordo com Braga, em anos anteriores a ajuda do município foi de R$ 20 mil a R$ 30 mil. O tucano reclamou que para os demais eventos de Carnaval na cidade foram investidos R$ 5 milhões pela Belotur. Henrique Braga afirmou que ao receber na manhã desta sexta-feira (13), o retorno da prefeitura sobre o valor que seria disponibilizado, comunicou ao secretário de Relações Institucionais, Marcelo Ab-Saber, que sairia da base, e o secretário teria lhe dito “você está certo”. O tucano ainda reclamou que, na prefeitura, ouviu que alguns vereadores evangélicos buscavam recurso e não executavam os eventos, o que gerou a ira dos colegas religiosos. A fala do tucano desencadeou uma série de pronunciamentos evangélicos. Jorge Santos (PRB) disse que se tratava de preconceito contra os religiosos. Elvis Côrtes (SD) afirmou que a festa em questão traz turistas para a cidade. “Houve um cerceamento do direito de manifestação. É desrespeito”, afirmou Côrtes.

A reação foi criticada pela oposição que afirmou que a atitude dos colegas reforça a relação de troca entre base e Executivo, como vem noticiando O TEMPO. Nesta semana, Lacerda se encontrou com líderes da Câmara e escutou o pedido de mais cargos no Executivo e que o prefeito confisque as indicações dos aliados que não votam como base.

"A prefeitura não tem que dar dinheiro nem para evangélicos, nem católicos, candomblé, ou judaísmo. O Estado é laico", afirmou Arnaldo Godoy (PT).

Gilson Reis (PCdoB) também criticou a situação. "O Estado é laico. Financiar eventos religiosos não existe. Se havia uma tradição de financiar essa festa era uma tradição errada", afirmou Reis.

Após uma série de conversas entre o líder do governo, Preto (DEM), foi construído um acordo com os evangélicos que se comprometeram a não obstruir a pauta. Parte deles passou a votar para derrubar os vetos do prefeito Marcio Lacerda.

Expectativa

Mais cedo, a maior expectativa era em relação à votação do fim da verba indenizatória. O texto foi colocado como uma medida de moralidade pelos vereadores, que prometeram aprovar a proposta em fevereiro. Se a matéria que tira da mão dos parlamentares os R$ 15 mil a que cada um tem direito não fosse votada nesta sexta-feira, só retornaria a pauta em março.

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