O urro da humanidade

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Gil Amâncio
"O Urro!", que marca o retorno de Carlos Rocha à direção de teatro, estrela nova temporada reformulada e com novas cenas

Não é exatamente Londres, Nova York, Paris, Moscou ou Istambul, mas, ao mesmo tempo, poderia ser qualquer uma delas. Urbanus, a cidade fictícia onde se passa o espetáculo “O Urro”, em cartaz na Funarte MG a partir da próxima quinta-feira (19), é uma miscelânea de metrópoles mundiais. Recheada de referências como as pontes londrinas e os traços ocidentais e orientais da cidade turca, além da correria e da loucura presentes no cotidiano das grandes cidades, Urbanus é uma alegoria da vida urbana. E é nesse lugar caótico e um tanto absurdo onde o escritor Dil, interpretado por André Senna, se torna protagonista de uma intensa reflexão sobre o contemporâneo e os valores do capitalismo.

“‘O Urro’ é o grito da espécie. Quando a gente começa a perder todos os resquícios da nossa humanidade, a gente urra. Eu acho que a gente caminha aceleradamente, cada vez mais colocamos o ‘ter’ no lugar do ‘ser’. Ninguém para pra saber se você está vivendo bem, ninguém se senta em uma praça. Estamos perdendo a humanidade. O urro é esse grito da espécie tentando recomeçar”, comenta Carlos Rocha, o “Carlão”, autor do texto e diretor da peça ao lado de Gil Amâncio, seu antigo parceiro artístico da Companhia Sonho & Drama durante os anos 1980.   Novidades Após uma década e meia à frente do Teatro Francisco Nunes e do Festival Internacional de Teatro (FIT-BH) e nove anos longe da direção teatral, “O Urro” marca a volta de Carlão a esse papel. A estreia foi em 2014, mas, segundo o encenador, as apresentações que compõem o projeto “Troca” da 41ª Campanha de Popularização Teatro e Dança, oferecem outro “O Urro”. Uma vez que, de lá pra cá, o espetáculo ganhou reformulações, deixando a nova temporada também com cara de estreia.   Os HQs do quadrinista Marcelo Lelis, claro, continuam, bem como os vídeos, as fotografias, os vídeos e as projeções de lettering que dão o caráter “multilinguagem” à peça. Agora, como novidades, quatro cenas foram retiradas e outras quatro incluídas, enquanto a narrativa ganhou uma ordem cronológica e o uso de elementos cênicos foi intensificado.    “Para mim, isso é um caminho natural, eu sempre estreio e continuo trabalhando, nunca fiz um espetáculo que consegui achar que ele estava pronto na estreia. Eu parto da concepção que fazer espetáculo é uma forma de conversar com as pessoas e a estreia é o momento em que a conversa principia”, explica o encenador.   Segundo ele, as alterações feitas na montagem foram motivadas por reações que ele conseguiu perceber da plateia em apresentações anteriores. “O mais bacana do teatro é ser ao vivo. Ele nos instiga a continuar a melhorar, acertar coisas. O teatro é feito todo dia”.   Prova disso é que Carlão já está preparando nova montagem. “Rouxinol Berra-Bode”, baseado nos jagunços do “Grande Sertão: Veredas” e trabalhado inteiramente com atrizes. O espetáculo deve estrear no segundo semestre deste ano.   O Urro Funarte MG (rua Januária, 68, Floresta, 3213-3084). De 19 de fevereiro a 8 de março (quinta a sábado, às 21h; e domingos, às 20h). R$ 10.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave