Empresário é condenado a mais de 16 anos de prisão por morte de sócio

Leonardo Cipriano deixou plenário preso, mas, se aceitar algumas condições, poderá aguardar o recurso em liberdade; crime aconteceu em 2009 na boate Pantai Lounge, na região Centro-Sul da capital

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

Cidades - Do dia - Belo Horizonte MG
Juri polular no forum Lafayete referente ao caso do assassinato de Gustavo Felicio da Silva , ocorrido em 2009 , pelo socio Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano , na boate Pantai Lounge , a qual eram donos no bairro Cidade Jardim na regiao centro sul da capital .
Na foto: o reu Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano prestando seu depoimento

FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 12.2.2015
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Cidades - Do dia - Belo Horizonte MG Juri polular no forum Lafayete referente ao caso do assassinato de Gustavo Felicio da Silva , ocorrido em 2009 , pelo socio Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano , na boate Pantai Lounge , a qual eram donos no bairro Cidade Jardim na regiao centro sul da capital . Na foto: o reu Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano prestando seu depoimento FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 12.2.2015

A Justiça de Minas Gerais condenou na madrugada desta sexta-feira (13) o empresário Leonardo Cipriano, 38 anos, por matar o sócio dentro de uma boate da região Centro-Sul de Belo Horizonte. O réu recebeu a sentença de 16 anos e seis meses de prisão por pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e empregando artifício que dificultou a defesa da vítima, e ocultação de cadáver. Cabe recurso.

O crime ocorreu em 28 de agosto de 2009 na boate Pantai Lounge, localizada na avenida Prudente de Morais, no bairro Cidade Jardim. Na ocasião, o corpo de Gustavo Felício da Silva, na época com 39 anos, foi encontrado nos fundos do estabelecimento, enrolado em sacos plásticos e mantas de lã de vidro com um tiro na cabeça.

Em depoimento, Cipriano afirmou que atirou contra o sócio, mas negou que tenha sido intencional. Segundo ele, ao retirar a arma da mochila para deixar com um vigia da boate, a vítima se assustou e o disparo aconteceu. O acusado também negou qualquer desentendimento com o sócio por questões financeiras.

Duas testemunhas de acusação e quatro de defesa foram ouvidas. Entre as testemunhas de acusação estava o advogado responsável pelos contratos da boate. Segundo ele, questões financeiras causaram desentendimento entre os sócios.

Já na defesa do réu estavam entre as testemunhas um ex-funcionário da boate e um músico que conheciam o acusado e Silva. Os homens afirmaram que desconheciam qualquer tipo de desentendimento entre os empresários.

O promotor do caso, Francisco Rogério Barbosa Campos,  apontou divergências entre o depoimento do réu e a perícia e buscou desconstruir  a tese de que o disparo foi acidental. O assistente de acusação, o advogado José Arthur Di Spirito Kalil, ficou por conta de afastar o argumento apresentado por psicólogos, que foram contratados pela defesa, que Cipriano ocultou o cadáver por ter ficado desorientado.

Do outro lado, a defesa, feita pelo advogado Leonardo Augusto Marinho Marques, negou a existência de desentendimento entre os sócios e desvios financeiros. Além disso, classificou o crime como “incidental”.

O conselho de sentença foi formado por cinco mulheres e dois homens. A pena foi fixada pelo juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga que, apesar de considerar a confissão espontânea do acusado, destacou a perversidade e crueldade dele nos dois crimes. O magistrado também lembrou que Cipriano enganou a família da vítima citando, inclusive, que familiares de Silva estiveram presentes em uma festa realizada na Pantai Lounge no mesmo dia do crime.

O juiz considerou que manter o réu em liberdade na fase de recurso “aumenta a sensação de impunidade para a sociedade e desprestigia a decisão soberana do Júri, que o considerou culpado”. Por isso, após a pena ser divulgada, Cipriano deixou o plenário preso.

No entanto, o juiz considerou que o acusado compareceu espontaneamente a todos os atos do processo e concedeu ao empresário a possibilidade de substituição da prisão preventiva. Sendo assim, para aguardar o recurso em liberdade, Cipriano deverá aceitar algumas condições, como: apresentar-se todo mês à Justiça, recolher-se a noite em casa, não frequentar bares e similares e submeter-se ao monitoramento eletrônico e entregar ou provar que não possui passaporte.

A reportagem de O TEMPO tentou contato com o advogado de defesa do réu para saber se as exigências impostas pelo juiz serão aceitas, mas às ligações não foram atendidas.

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