Mais transparência

iG Minas Gerais |

Não é tão difícil entender as altas dívidas, as mazelas e os mistérios produzidos pelos clubes de futebol no Brasil. Transparência é uma palavra proibida dentro das instituições. Na verdade, a expressão, “caixinha de surpresa” se refere, não ao resultado dos jogos, mas a que revelam determinadas condutas e posturas dos clubes comandados por pessoas que se valem do “sigilo profissional” para esconder do torcedor e do público em geral o que é feito com o dinheiro e com as coisas do clube. O balanço financeiro é como cabeça de bacalhau. O valor de cada patrocínio é escondido a sete chaves. É muito mais fácil saber o verdadeiro salário de um grande executivo do mundo empresarial/financeiro do que de jogador de futebol. Valor da compra ou da venda dos direitos de um atleta, nem pensar. Os clubes se valem do sigilo, até mesmo para não divulgar a quantidade de camisas oficiais vendidas mensalmente. Tudo que se refere a um clube de futebol é envolto em um grande mistério, para não dizer uma cortina de fumaça. O tempo se encarrega de revelar algumas trapalhadas, desvios e aberrações na condução do dia a dia de um grande clube, que movimenta algo em torno de R$ 200 milhões anuais. Eu acho que todos tinham o direito de saber o que é feito com o dinheiro movimentado por uma dita associação sem fins lucrativos.

Regra. Desde 2002, uma medida provisória determina que os clubes sejam obrigados a publicar suas demonstrações contábeis, só que isso não é feito. Alguns clubes vão dizer que divulgam, mas só para aqueles que procuram essa informação. Como não existe, ainda, uma padronização, os resultados e patrimônios divulgados são totalmente incompatíveis com a realidade.

Chute. Os únicos valores que clubes de futebol gostam de divulgar são dos ingressos dos jogos e da camisa oficial. Esses são amplamente divulgados, mas o quanto é arrecado com as vendas cai na “caixinha de surpresa”. A falta de informação oficial leva a uma boataria sem precedentes, principalmente nas redes sociais. Para não ficar sem nenhum número, muitos divulgam valores imaginários. Ralo. Mais uma vez, o Cruzeiro vem perdendo receitas pela incompetência na venda de camisas oficiais. O fato se repete desde 2013. O torcedor está louco para gastar R$ 229 em uma camisa que, se produzida na China, sai por cerca de R$ 20. Existem filas nas lojas e o produto nunca é suficiente. Realmente deve ser uma operação super complexa.

Engatinhando. Quanto mais aprofundamos no tema, mais percebemos a deficiência do negócio futebol no Brasil. Nossos clubes não sabem vender camisa, ingresso é caso de polícia e museu dos nossos centenários times é uma raridade. Os clubes querem e precisam ganhar dinheiro, mas não sabem como. Os programas de sócio-torcedor são uma aventura.

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