Cobranças fazem vereador devolver cargos à prefeitura

Oposição mantém estratégia de obstruir todas as votações

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Repercussão. Com exemplar de O TEMPO nas mãos, vereadores discutem a relação com a prefeitura
LEO FONTES / O TEMPO
Repercussão. Com exemplar de O TEMPO nas mãos, vereadores discutem a relação com a prefeitura

Nem projeto de extinção de verba indenizatória nem qualquer outro de interesse da cidade. A cobrança pelo posicionamento dos vereadores na Câmara Municipal foi o principal assunto nesta quinta em plenário. Depois de O TEMPO mostrar o mal-estar entre situação – que exige mais espaço na prefeitura – e o Executivo – que já disse não ter – , a oposição criticou o que chamou de balcão de negócios.

Já o presidente da Casa Wellington Magalhães (PTN) sugeriu que os vereadores que se dizem independentes entreguem os cargos que têm na prefeitura. Em seguida, Orlei (PTdoB) colocou à disposição sua cota de cinco.

O vereador Arnaldo Godoy (PT) afirmou que a barganha dos aliados por cargos em troca de empenho em plenário traz “constrangimento” para a Casa. “A cidade não é nada?”, criticou. “É como se o povo de Belo Horizonte fosse mercado”, completou Juninho Paim (PT).

Magalhães chamou na responsabilidade os aliados do prefeito Marcio Lacerda (PSB) e sugeriu que quem não votar com o Executivo abra mão do espaço que tem. Ele citou o colega Orlei. “Quando a pessoa é independente tem que entregar todos os cargos para ter o livre arbítrio de votar”, disse o presidente da Casa.

“Cobro do prefeito que tem que ter uma base sustentável, valorizar os colegas e separar a água do óleo”, afirmou. “A pessoa que tem cargo que o prefeito nomeia tem sim a obrigação de aprovar o projeto do governo”, completou Magalhães de forma enfática.

Orlei, que nesta quarta levou puxão de orelha do líder de governo Preto (DEM) por não ter ajudado a base a dar quórum de votação mesmo estando no plenário, se sentiu intimidado e, também ao microfone, abriu mão das indicações que fez.

“Estou colocando nesse momento os cinco cargos à disposição da prefeitura. Vou trabalhar de acordo com minha consciência”, bradou e foi abraçado pela oposição. Ele respondeu ainda à Magalhães que afirmou que Orlei tinha ainda a indicação da subsecretária adjunta da regional Noroeste, mas Orlei disse que o quadro foi uma indicação do deputado estadual João Vítor Xavier (PSDB).

Joel Moreira (PTC), que se intitula independente, criticou Magalhães. “Essa Casa não pode se curvar ao prefeito. Isso é a maior vergonha. As pessoas podem sim ser independentes”. O vice-líder de governo, Leonardo Mattos (PV), negou que haja uma relação de troca com o Executivo e disse que a relação é de “harmonia”.

Reunião

Sucessão. O prefeito de BH, Marcio Lacerda, convocou a militância de seu partido, o PSB, para tratar da sucessão municipal, na noite desta quinta. A eleição interna será em março.

Cabo de guerra Cobrança. Líderes da Câmara se encontraram com Marcio Lacerda nesta quarta. Eles levaram os recados da base, que exige mais espaço – cargos – na prefeitura e que Lacerda confisque os entregues aos colegas que até então eram aliados, mas que teriam mudado de lado. Rebelião. Lacerda não cedeu à pressão e disse que não há mais espaço. Ele também mandou recado: para ele não existe o bloco dos independentes – posição defendida por alguns. Ou se está na base ou fora. Insatisfeitos, os aliados fazem operação tartaruga em plenário para pressionar o prefeito.

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