Sobre o amor e suas (cômicas) desventuras

Comédia baseada em obra de Osman Lins mostra traços da identidade nordestina e questiona moral vigente

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


Segundo diretor, a atuação dos atores em palco é o ponto forte do espetáculo
Rhonan Moreira Neto
Segundo diretor, a atuação dos atores em palco é o ponto forte do espetáculo

Osman Lins nasceu em 1924, na cidade de Vitória de Santo Antão, no Pernambuco. Tornou-se dramaturgo e 42 depois de seu nascimento estreou aquele que seria seu texto de maior sucesso: “Lisbela e o Prisioneiro”, cuja adaptação dirigida por Ricardo Batista está em cartaz no Grande Teatro do Palácio das Artes, pela Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.

Num primeiro olhar, a história trata do amor entre Lisbela e o prisioneiro Leléu, e os confusos caminhos que ambos tomam para concretizar essa paixão. No entanto, a narrativa vai além e mostra traços da cultura nordestina e, principalmente, questiona valores morais e sociais atuais. “Uma das coisas que mais me atrai no texto é o fato de ser politicamente incorreto para os dias de hoje”, conta Batista.

Diferentemente da adaptação cinematográfica homônima de Guel Arraes, a peça é, segundo Batista, bem menos romantizada. O diretor teatral fez questão de manter a base da obra de Lins, embora tenha tratado de forma mais branda alguns detalhes. “No original Leléu está preso por ter transado com um menina de 15 anos e por casar com mulheres diferentes por todo lugar que passa. Eu dou um tom mais ameno a isso. Mas mantive a essência dos personagens e nenhum deles é santo, incluindo Lisbela”, adianta.

A adaptação de Batista traz ainda oito personagens ante os 12 do primeiro texto. “A protagonista aparecia muito pouco, mudei isso. E tirei personagens que tinham histórias paralelas para dar mais atenção ao caso do casal principal”, diz.

Para o diretor, o resultado das modificações, e dos cinco meses de ensaio, é um espetáculo cômico apurado e alçado a esse patamar, em grande parte, pelo elenco. “Quem assistir verá ótimas performances, todas no mesmo nível. O ponto forte é a atuação dos atores”, garante. Serviço. “Lisbela e o Prisioneiro”, hoje, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro). R$ 15 (inteira)

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