Um Carnaval de sangue, suor e vísceras

“O Fascínio do Medo” começa hoje no cine Humberto Mauro, com 20 filmes dirigidos por mes- tres do terror setentista

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Um dos maiores clássicos do gênero, “O Exorcista” levou estúdios a investirem no terror
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Um dos maiores clássicos do gênero, “O Exorcista” levou estúdios a investirem no terror

Ao ouvirem falar de Carnaval, algumas pessoas pensam em confete, serpentina, festas, fantasias mínimas, muita música e poucas horas de sono. E há aqueles que, só de imaginarem tudo isso, já sentem literalmente o “sangue nos olhos”.

Se você é desses mais preocupados com o fato de que hoje é sexta-feira 13 do que com o início da folia, o Cine Humberto Mauro tem a (contra)programação perfeita para o seu fim de semana. O espaço começa hoje a mostra “O Fascínio do Medo” que, até o dia 5 de março, exibe 20 grandes obras do terror produzidas nos anos 1970, por nomes como Brian De Palma, John Carpenter e Dario Argento.

“O terror é o gênero da subversão da ordem, da linguagem cinematográfica e das relações humanas, então achamos coerente oferecer essa mostra durante o Carnaval”, argumenta Bruno Hilário, assessor do Humberto Mauro e curador dos filmes.

Mas se na década de 50, essa subversão foi marcada pelo discurso político nada sutil e quase kitsch da Guerra Fria, e nos anos 1980, seu objetivo era o gore pelo gore – uma mistura de muito sangue e um pouco de sexismo –, a principal característica do terror setentista é sua afiliação à chamada “Nova Hollywood”. Seus realizadores associam a linguagem sóbria e realista das novas ondas do cinema europeu ao desencanto político e econômico do Watergate e da Guerra do Vietnã para criar obras em que a inquietação e o horror estão mais na ambientação, em uma atmosfera incômoda e opressiva, refletindo o estado de espírito dos personagens – e da própria nação.

“A mostra vai de ‘O Abominável Dr. Phibes’, ainda muito ligado ao terror clássico, até longas como ‘Amargo Pesadelo’ e ‘Sob o Domínio do Medo’, que mostram a crueza e o niilismo com que os cineastas da época abordam temas como o questionamento do lugar do homem na sociedade e a falha da política tradicional como solução dos problemas”, analisa Hilário.

O fato de ser reconhecido como o terror da sugestão e da atmosfera, no entanto, não quer dizer que faltam sangue e gore para os fãs do gênero. E a mostra deixa isso bem claro hoje, com uma seleção de filmes capaz de revirar as vísceras dos foliões mais frágeis. O dia começa com “O Despertar dos Mortos”, de George Romero, segue com um dos maiores clássicos do gênero com “O Exorcista”, William Friedkin, e fecha com chave de sangue, o “Halloween”, de John Carpenter.

“Selecionamos aqueles filmes que vêm à mente quando se pensa em sexta-feira 13 e que são marcantes para o imaginário das pessoas”, justifica o curador. Além deles, o fim de semana traz ainda o “Tubarão”, de Steven Spielberg, e “Alien – O Oitavo Passageiro”, de Ridley Scott.

A mostra também terá uma programação especial no dia 21, que será totalmente dedicado a Brian De Palma. “Ele escolhe o horror que, por ser considerado ‘menor’ dentre os gêneros clássicos, permite uma maior liberdade criativa, e busca a exploração da potência máxima, estética e expressiva da imagem cinematográfica”, explica Hilário, sobre a pesquisa do cineasta. Além de “Carrie, A Estranha”, maior exemplar dessa potencialização, o dia contará ainda com “Irmãs Diabólicas” e “Trágica Obsessão”.

Por fim, o curador destaca a programação de amanhã que, apesar de não ser especial, traz dois grandes destaques. O primeiro é “Suspiria”, do mestre Dario Argento. “É o único filme da mostra que não vem da escola norte-americana, mas sua tradição italiana do terror influencia muitos dos outros filmes que estamos exibindo”, afirma.

O outro é “The Rocky Horror Picture Show”. Após ser massacrado no lançamento, o filme se tornou cult em sessões da meia-noite nas quais os fãs comparecem vestidos como os transexuais, devassos e pervertidos que levam o virginal casal de protagonistas a uma experiência sexual “aterrorizante” – algo que o Humberto Mauro convida o público a fazer. “Ele brinca com a subversão do terror por meio da sexualidade. Já recebemos ligações de pessoas que querem vir fantasiadas, aproveitando o Carnaval”, adianta Hilário.

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