Temática gay em boa fase

Longa “Beira-Mar” representa continuidade da produção brasileira no Festival de Berlim, concorrendo a prêmios

iG Minas Gerais |

Abordagem. Filme retrata relação de dois amigos adolescentes que nunca debateram a sexualidade
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Abordagem. Filme retrata relação de dois amigos adolescentes que nunca debateram a sexualidade

Berlim, Alemanha. A presença de “Beira-Mar” no Festival de Berlim representa uma dupla continuidade para a produção brasileira no evento.

Por um lado, joga luz sobre a produção do Rio Grande do Sul, que no ano passado esteve presente na mesma seção (a mostra Forum) com “Castanha”, de Davi Pretto. Por outro, investe na sensibilidade gay, tema representado em 2014 pelo próprio “Castanha” e, ainda, por “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz, e “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro.

“Beira-Mar” marca a estreia em longas da dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que se conheceu no curso de cinema da PUC, em Porto Alegre. Eles já realizaram vários curtas e organizaram o Close – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual, no Rio Grande do Sul.

Nos debates que se seguiram às projeções de “Beira-Mar” em Berlim, uma das reações mais comuns era o estranhamento. “Várias pessoas duvidavam que se passava no Brasil. Perguntavam: ‘Mas com esse frio e essa luz?’”, conta Matzembacher.

Filmado em julho de 2012 (em pleno inverno) no balneário de Capão da Canoa (140 km de Porto Alegre), o filme relata a aproximação de dois adolescentes que, apesar de serem melhores amigos, jamais conversaram sobre sexualidade.

“Desde nossos primeiros curtas, coincidentemente, abordamos o tema da juventude e da sexualidade”, diz Reolon. “A história surgiu quando nos demos conta de que muitas memórias que tínhamos dessa fase eram parecidas”, completa Matzembacher.

Reolon diz esperar que os espectadores criem “uma relação de afeto” com os personagens. “Temos tido uma resposta imensa nos debates e no Facebook”, conta seu parceiro.

“Beira-Mar” concorre ao prêmio Teddy, dado ao melhor filme gay exibido em Berlim – no ano passado, foi para “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” – e também ao prêmio conferido ao melhor filme de cineastas estreantes.

Atração. Depois de experiências traumáticas fora de seu país, com filmes condenados ao esquecimento como “Invasores”, com Nicole Kidman, ou a cinebiografia “Diana”, com Naomi Watts, o diretor alemão Oliver Hirschbiegel volta ao terreno seguro dos thrillers situados na Segunda Guerra em “Elser”, principal atração de ontem no Festival de Berlim.

Para quem não se lembra, Hirschbiegel conheceu o sucesso em 2004 com “A Queda! – As Últimas Horas de Hitler”, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Com os direitos de distribuição nos EUA e na América Latina comprados ainda no começo do festival pela Sony Classics, “Elser” se posiciona como um dos títulos da Berlinale 2015 com chances de cumprir sólida carreira internacional, mesmo tendo sido exibido fora de competição.

Como em “Operação Valquíria” (2008), inspirado na história de um plano para matar Hitler, obviamente malsucedido, “Elser” tem o desafio de tornar interessante uma trama que já se sabe estar condenada ao fracasso desde o começo.

A diferença, aqui, é que o plano foi levado a cabo por apenas um homem, Georg Elser (muito bem defendido por Christian Friedel). Não deu certo por um pequeno erro de cálculo, de 13 minutos.

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