Vereadores petistas querem manter autonomia após união

O presidente do PT em Contagem, Zé de Souza, afirma que a aliança com o partido comunista deve significar a afirmação de um projeto de esquerda durante atual gestão

iG Minas Gerais |

Decisão. Apesar de votos contrários, vereadores apostam na aliança entre o PT e o PCdoB para compor a atual administração municipal
Leandro Perche / CMC
Decisão. Apesar de votos contrários, vereadores apostam na aliança entre o PT e o PCdoB para compor a atual administração municipal

Durante a plenária da última terça-feira (10), o presidente do PT em Contagem, o vereador Zé de Souza, apresentou a resolução política da legenda em compor os quadros da administração do PCdoB na cidade e sua base de sustentação.

Ocupando a tribuna, Zé de Souza leu 13 pontos aprovados pelo Diretório Municipal do PT em reunião no último domingo (8). De forma geral, o texto destaca que, no momento de turbulência no qual se encontra o país, há necessidade de união no município entre os dois aliados históricos, como já ocorre em nível estadual e federal, para enfrentar o desafio da busca de resultados sociais e de fortalecimento da cidadania em Contagem.

“Torna-se imperioso a construção de uma unidade programática em torno de uma agenda de políticas públicas avançadas e inovadoras para a cidade. Ao nosso juízo, a aliança com o PCdoB em Contagem deve significar a afirmação de um projeto de esquerda na gestão da segunda maior cidade mineira”, destacou Zé de Souza.

O vereador petista garante que a aliança não representará perda de independência para o partido: “o PT não deve se diluir no governo. Ao contrário, deve fazer o elo permanente entre o governo e as ruas. Deve aprofundar a formação de seus quadros. Deve aumentar sua inserção nos bairros, fomentando os mecanismos de participação e controle social”.

Dentre as condições para a aliança, segundo a resolução, estariam a preservação da identidade política do PT na cidade, “bem como o legado petista de oito anos à frente da prefeitura municipal; e manter intacta a autonomia do PT na definição da estratégia política e da tática eleitoral para 2016”.

Correligionários contrários

A partir da leitura do documento, os vereadores Obelino Marques e Rodinei Ferreira, também petistas, exaltaram o caráter deliberativo e democrático da resolução do partido, apesar de externarem opiniões contrárias à aliança.

Na ocasião, os vereadores pediram a palavra e ressaltaram que apesar terem votado contrariamente à aliança do Partido dos Trabalhadores com a administração do PCdoB, respeitam a decisão do partido e trabalharão juntos, mas com autonomia, pelo bem do município.

“Fizemos debates profundos, extensos, e quero deixar registrado que fui contra essa coligação pelas razões expostas internamente no partido. Tenho dificuldade de ser tutelado e, por isso, luto para ter essa autonomia”, disse Obelino.

“Aqueles que têm uma visão míope, que não têm visão ampla do partido, acham que o PT vive brigando. O que há são debates de ideias divergentes, que ajudam a construir. Votei contra, fui voto vencido, mas acato a decisão da maioria”, completou.

Líder da bancada do PT na Câmara de Contagem, Rodinei exaltou o processo democrático pelo qual o partido resolveu pela aliança com os comunistas. “Gostaria de parabenizar o partido pela discussão, pelo debate e até pelo não consenso, porque isso aprofunda o debate. Também fui contrário (à aliança), mas foi uma vitória das duas partes, pois é importante que a militância não seja simplesmente avisada, e sim que participe das decisões. Acredito que nosso partido ocupará espaços importantes para que a administração municipal tome rumos diferentes, e vamos contribuir sem medo de continuar questionando e cobrando o governo”, concluiu.

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