Para tirar o vinho do pedestal

À frente da Eno Cultura, sommelier Paulo Brammer comanda aula com certificação internacional em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

O sommelier Paulo Brammer, diretor da Eno Cultura, é quem comanda as seis horas de aula do curso WSET Nível 1
Eno Cultura / Divulgação
O sommelier Paulo Brammer, diretor da Eno Cultura, é quem comanda as seis horas de aula do curso WSET Nível 1

O discurso de tirar o vinho do pedestal e transformá-lo em um artigo do cotidiano, tão (e há tanto tempo) defendido no meio de quem entende do assunto, ainda não parece ter surtido efeito no Brasil. Essa, pelo menos, é a avaliação que o sommelier Paulo Brammer faz do setor.

Há 12 anos envolvido no meio, ele já trabalhou com os maiores especialistas em vinhos da Europa, é jurado internacional em concursos e hoje é diretor da Eno Cultura, instituição com sede em São Paulo que busca a desmistificação da bebida. No próximo dia 28, Paulo vem a Belo Horizonte para ministrar o curso WSET (Wine & Spirit Education Trust) Nível 1, para iniciantes.

Com certificação internacional, vinda diretamente de Londres, a aula é a mesma aplicada em 60 países, dos Estados Unidos à China. “É o curso mais reconhecido no mundo”, resume o professor.

O programa de seis horas inclui desde os estilos e uvas, técnicas de harmonização e degustação (dez rótulos), mas também avança sobre o serviço do vinho. “Pessoalmente, esse nível é um dos mais fascinantes para lecionar, porque as turmas são sempre bem heterogêneas. É preciso modelar a aula para atender a todos, desde o amante de vinhos, o cara apaixonado que quer entender mais sobre a bebida que ele gosta até o garoto que quer trabalhar na área”, comenta o professor, que chama a Eno Cultura de “academia etílica”. Para receber o certificado, o aluno deve passar em uma prova de múltipla escolha com 30 questões.

De “cheiradores de rolha” frequentadores de restaurantes finos a sommeliers teatrais que querem ser o centro das atenções, ele diz haver muita pose para ser combatida. “Na minha formação, na Inglaterra e França, percebi que vinho é commodity. Não há motivo para tratá-lo com tanto elitismo. Na Europa, é um item de cesta básica, servido em refeitórios de empresas. É preciso tirar toda essa pompa que existe por aqui, sou taxativo quanto a isso nos cursos, é preciso simplificar”.

Ainda que se incomode com a postura dos profissionais e de muitos apreciadores, a bronca maior de Paulo é com as taxas de importação de vinhos praticadas no Brasil. “A barreira cultural existe, porque não somos um país que historicamente consome muito vinho. Mas se fossem praticados preços mais justos, tudo seria diferente. O elitismo vem muito em função do custo das bebidas, mas isso está fora da nossa alçada. Nosso foco, então, é a educação, já que existe essa lacuna”, afirma.

Representante do Institute of Wines and Spirits no Brasil, Paulo volta a Londres a cada três meses, o que, segundo ele, é fundamental para se manter atualizado do que acontece no setor. “Londres hoje é o mercado de vinho mais aquecido no mundo. É de lá que saem as principais tendências, e trazer o que está acontecendo lá é um prazer para mim”.

As credenciais do professor são imponentes. Em uma década trabalhando na Europa, ele passou por funções como sommelier chefe do três estrelas Michelin W’Sens. Como comprador e gerente de operações do grupo ETM, ele rodou o mundo visitando vinícolas. “O mundo do vinho é muito mais simples do que as pessoas imaginam. Compartilhar os meus conhecimentos ajuda a tirar esse estigma e incentivar a apreciação. Meu objetivo é que todo mundo abra pelo menos uma garrafa todo dia”, brinca.

A Eno Cultura, além de ministrar os cursos WSET nos níveis 1, 2 e 3, atua também como consultoria na área de alimentos e bebidas no Reino Unido e no Brasil, ajudando hotéis, restaurantes e importadoras com treinamento, criação de portfólio, ações de vendas e outros serviços.

Curso de vinhos WSET Nível 1, com o sommelier Paulo Brammer, dia 28 de fevereiro na Casa do Porto (rua Felipe Santos 451, loja 01. Lourdes), das 9h às 17h30. R$ 750.

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