Desce mais caipirinha

Nova roupagem para o drinque símbolo do Brasil inclui frutas diversas, especiarias e adereços como pirulitos e picolé

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Especialmente para o Gastrô, o mixologista Filipe Brasil criou uma caipirinha baseada na tradicional de limão, mas turbinada com uvas verdes e adoçada com licor de jabuticaba
leo fontes
Especialmente para o Gastrô, o mixologista Filipe Brasil criou uma caipirinha baseada na tradicional de limão, mas turbinada com uvas verdes e adoçada com licor de jabuticaba

Limão, cachaça, açúcar e gelo. O que um dia já foi remédio para gripe se transformou em um dos principais ícones do país para brasileiros e estrangeiros: a caipirinha. Embora ela seja por si só um drinque completo, como resistir à tentação de recriar em cima de um clássico? Assim, bartenders e mixologistas desenvolvem, a cada dia, versões mais diferentes, com frutas, temperos e combinações inusitadas. Com a chegada do Carnaval, vale a pena conhecer algumas delas e, quem sabe, incrementar a folia de Momo com esse toque etílico.

Há inúmeras opções, como a caipirinha de café, servida n’A Pão de Queijaria, ou a exótica (e deliciosa) combinação de tomate, limão siciliano e manjericão – mistura que mais parece um “drinque de salada” – do Bacon Paradise.

“A variedade é impressionante”, afirma Túlio Montenegro, dono do Chef Túlio. Para ele, a recriação da caipirinha se dá em função do caráter versátil de seus elementos principais, as frutas e a cachaça. “Até hoje, só duas frutas que testei não prestaram para a caipirinha, a maçã e a pêra, porque elas não dão suco suficiente. De resto, tudo dá. Já fiz com caqui, jabuticaba, carambola, graviola, seriguela, jambu. As frutas nativas são ótimas”, diz. Para o Carnaval, ele sugere a adoção da “frozen caipirinha”, com a polpa da fruta congelada e batida no liquidificador.

No Chef Túlio, as receitas são enriquecidas com outra paixão do proprietário: as pimentas. “Eu planto, colho, curto e trabalho com pimenta há muito tempo. Aí resolvi testar essa combinação e criar harmonizações das caipirinhas com os molhos que já fazia. Gosto tanto da mistura das frutas e pimenta que hoje ponho até demais”, afirma ele, que criou fórmulas como a caipirinha de tangerina com molho de limão capeta e a de manga com molho de pimenta amarela.

Ainda que seja encarada como um tipo de cartão de visitas do Brasil no exterior, por ser feita de cachaça, a caipirinha ainda sofre preconceito por aqui, vista como um drinque menor em relação aos outros, que têm na fórmula rum, sakê e outras bebidas importadas. Na opinião do mixologista Filipe Brasil, felizmente, esse cenário vem mudando. Como exemplo, ele cita um discurso recente do chef de bar do D.O.M., Jean Ponce, em São Paulo, em defesa da cachaça, no congresso Mentes Brilhantes. “Ele cobrou um maior carinho com o produto nacional. Cachaça é linda e caipirinha, mais ainda! Como produto, temos abundância de marcas, de envelhecimentos, de infusões com frutas típicas. É um produto versátil e, acima de tudo, brasileiro. A tendência agora é ser cada dia mais explorado por profissionais da área”, aposta ele.

Nessa verve nacionalista, ele destaca que a caipirinha tem de ser necessariamente feita com cachaça. “Caipi vodca, caipi sakê ou outras combinações de fruta, açúcar e limão têm seus nomes e procedimentos de preparo específicos. Com tequila é margarita; com rum, daiquiri, e por aí vai”, diz. Contrariando a tese de que a cachaça boa para fazer a caipirinha é somente a branca, Filipe destaca que as bebidas envelhecidas também podem render bons drinques. “Tudo depende da criatividade e do equilíbrio da receita”, garante.

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