Obra parada joga no ralo R$ 4 mi de verba pública

UPA Norte foi inaugurada há mais de dois anos pela ex-gestão, mas nunca funcionou; no lugar de pacientes, há salas vazias, sujas e estacionamento coberto por mato

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Diversos equipamentos foram destruídos por vândalos
Diversos equipamentos foram destruídos por vândalos

Com custo de mais de R$ 4 milhões, uma das principais obras idealizadas pela ex-prefeita MDC, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da regional Norte, já se tornou sinônimo de desperdício do dinheiro público, visto que parte da estrutura que foi erguida está se deteriorando ou sendo destruída por vândalos.

O projeto, que já custou pelo menos R$ 4,1 milhões aos cofres públicos, consistia na construção de um posto de saúde de 2.000 metros quadrados, oferecendo atendimento 24 horas e serviço de urgência e emergência para moradores de 25 bairros da regional. No entanto, mais de dois anos após ser inaugurada pela antiga gestão, a unidade encontra-se abandonada.

No lugar de pacientes, há salas vazias, sujas, além de um estacionamento coberto por mato e um prédio sujo por pichações. Os vidros também foram quebrados por vândalos, assim como os reatores de energia e as torneiras, que foram furtadas.

As portas, antes de vidro, tiveram que ser substituídas provisoriamente por tapumes, já que também foram danificadas por criminosos. O descaso revolta a população, que tem de enfrentar unidades lotadas e com falta de estrutura. “A situação é revoltante. Temos que sair daqui, do Bom Retiro, e esperar horas por atendimento em outras unidades de saúde da cidade que vivem superlotadas”, reclama a aposentada Maria Ângela da Silva, 63, ao lembrar que a obra foi aprovada no Orçamento Participativo como a maior que seria feita na região.

Aditivos Informações publicadas no “Órgão Oficial” dão conta de que, dos R$ 4,1 milhões já investidos na UPA Norte, R$ 2,650 milhões vieram do governo federal, R$ 934 mil, da prefeitura, na antiga gestão de MDC, e mais R$ 531 mil, do governo do prefeito Carlaile Pedrosa, que já assinou três termos aditivos com uma empresa de engenharia para tentar terminar a obra.

A última licitação para a execução das intervenções de urbanização e pavimentação teve início no dia 11 de setembro de 2013, porém, o último aditivo ocorreu no dia 2 de setembro de 2014. O fato chama a atenção dos moradores da região, que garantem não ver a movimentação de pessoas no local há meses. “Há anos não vemos ninguém na obra, apenas muita destruição”, diz a dona de casa Maria de Fátima Nunes, 52.

Por meio de nota, a prefeitura informou que, apesar de o governo anterior ter realizado evento de inauguração da unidade, a UPA Norte não foi concluída nem aberta à população, pois o projeto estava incompleto, inadequado e incompatível com as demandas de atendimento.

O Executivo ressaltou, ainda, que os aditivos foram destinados às obras de drenagem, muro de arrimo, terraplanagem, cercamento e pavimentação do estacionamento (consideradas obras de urbanização), além da construção das edificações destinadas à instalação de tubulação de oxigênio e gases medicinais que exigem adequação específica e também para a instalação do gerador de emergência e apoio de serviços (caso falte energia). A previsão da prefeitura é que a unidade seja reinaugurada no início do próximo semestre.

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