Roubam carro e negociam venda com a própria vítima

De acordo com o corretor de imóveis, ladrões fazem contato por telefone e pedem R$ 3.000 para devolver seu carro; caso já foi denunciado à polícia, que ainda não agiu

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Em mensagem registrada pelo celular da vítima, suspeito disse que iria entregar carro na segunda
João Lêus
Em mensagem registrada pelo celular da vítima, suspeito disse que iria entregar carro na segunda

Não bastassem o prejuízo financeiro e o trauma psicológico, a vítima de um roubo em Betim tem tido que lidar, nas últimas semanas, com as ameaças dos supostos criminosos, que tentam vender para ela o próprio objeto roubado, um Fiat Palio de cor vermelha.

A vítima é um corretor de imóveis de 37 anos, que não será identificado por questões de segurança. O veículo teria sido roubado no último dia 24, na rua João Pinheiro, no centro, por volta das 13h. Segundo o corretor, há pouco mais de uma semana, já no dia 2 deste mês, um homem, que se identificou apenas como João e que seria dono de um desmanche, fez o primeiro contato com a vítima. Na ligação, ele teria dito ao corretor que conhecia os suspeitos de ter cometido o roubo e que eles haviam, inclusive, tentado vender a ele o carro.

Se passando por “amigo” e como interlocutor da negociação, João teria pedido à vítima R$ 3.000 pelo Palio. Desde então, inúmeras mensagens, inclusive de ameaças, já foram enviadas pelo suposto autor do crime. Em uma das ligações, os bandidos teriam, inclusive, ameaçado a filha de 11 anos do corretor. Eles teriam conhecido a garota através de fotografias armazenadas no notebook da vítima, que estava dentro do Palio e que também foi levado pelos criminosos. “Disseram que ela era bonitinha e que iriam procurá-la perto da minha casa”, contou a vítima.

O corretor já marcou dois encontros para tentar reaver o carro. Um deles teria aconteceido na segunda (2), no centro de Contagem. O corretor de imóveis contou que chegou a ir ao endereço descrito pelos autores na companhia de policiais civis à paisana, no entanto, ninguém compareceu ao local. Já na quarta-feira (11), em um outro encontro, a vítima depositou um envelope vazio em uma conta da Caixa Econômica Federal (CEF) em nome de Aemerson Nascimento da Silva. No entanto, sem o apoio da polícia, o corretor não foi ao endereço solicitado pelos criminosos. “Estou com medo. Não sei até que ponto toda essa história é verídica”, disse.

Por telefone, a assessoria de imprensa da Polícia Civil orientou que a vítima vá até o 4° Distrito Policial, responsável pela investigação do caso, para prestar detalhes. A assessoria informou, ainda, que o rastreamento telefônico do suposto interlocutor da venda do carro só pode feita mediante autorização judicial.

 

“Ele falou que minha filha de 11 anos era bonitinha”

Quando foi que seu carro foi roubado? No dia 24 de janeiro, por volta das 13h. Havia ido ao meu escritório, na rua João Pinheiro, no centro, e, quando cheguei ao local onde o carro estava estacionado, ele já não estava mais lá. Quando foi o primeiro contato dos criminosos? Na segunda (7). Esse homem, que se identificou como João e proprietário de um desmanche, ligou para a casa do meu pai. Mas no seu carro tinha o telefone da casa do seu pai? Como eles conseguiram o número? Isso é uma incógnita para mim. Dentro do carro, havia apenas um notebook, uma câmera fotográfica e alguns documentos pessoais. Acredito que eles tenham conseguido o telefone com algum despachante, já que o documento do carro está em nome do meu pai. E o que o João lhe disse? Ele falou que era dono de um desmanche e que alguns homens haviam oferecido a ele o Palio, mas que, quando ele soube que o carro era roubado, ele tratou de localizar o dono. Depois ele começou a negociação. Ele age como se fosse meu amigo. Diz que os “caras” irão me devolver o carro.

Você já foi ameaçado? Eu não, mas noutro dia um dos supostos ladrões falou que iria rodar perto da minha casa para tentar achar minha filha. Ele falou que ela era “bonitinha”. Você não está com medo? No começo estava, mas agora já não sei até que ponto toda essa história é verídica.

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