Surto de dengue assusta moradores

Segundo a prefeitura, notificações no bairro representam 30% do total já contabilizado no município neste ano

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Abandono. 
Em diversas ruas, como a Canaã, há muito lixo e entulho
FOTO: JOAO LEUS / OTEMPO
Abandono. Em diversas ruas, como a Canaã, há muito lixo e entulho
Moradores do bairro Marimbá estão preocupados com o surto de dengue que atinge a região desde o início deste ano. Segundo a prefeitura, até quarta (11), já haviam sido registradas 72 notificações da doença no bairro. O número representa 30% do total já contabilizado em todo o município neste ano: 237.   Conforme o agente penitenciário Vanderson Ferreira Soares, 35, o número de crianças, adultos e idosos picados pelo mosquito Aedes Aegypti cresceu consideravelmente. “Eu mesmo já fui infectado pela doença neste ano e fiquei sete dias afastado do meu serviço. Sentia muita dor de cabeça, nas pernas e no abdômen”, contou.   Na casa dele, na rua das Mercês, outras sete pessoas foram diagnosticadas com dengue nas últimas duas semanas. Entre as vítimas estão o irmão dele, a cunhada e uma sobrinha. Na terça-feira (10), o diagnóstico da doença foi confirmado no Hospital da Colônia Santa Izabel, na região do Citrolândia, onde a família passou o dia em observação. “A situação é alarmante. A prefeitura precisa tomar alguma medida drástica”, disse o comerciante Antônio Ferreira, 45, que, com medo de que o mosquito picasse a mãe dele, de 78 anos, tomou a decisão de levá-la para a casa de amigos em outra região da cidade.    Outra vítima do mosquito Aedes Aegypti é o vigia Arcino Vitorino, 57, morador da rua Monsenhor Horta. Desde o último sábado (7), ele apresentou sintomas como febre, dores de cabeça e também atrás dos olhos. O diagnóstico da doença, no entanto, só veio na segunda (9), depois que ele fez um exame de sangue na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro. “Fiquei dois dias sem saber ao certo o que era”, contou. Na casa de Vitorino, o sobrinho dele, de 11 anos, e a filha, de 30, também estão com suspeita da doença.    O técnico em enfermagem Júnior da Silva Pires, 25, reclama da falta de ação da prefeitura e diz que os agentes de saúde visitam poucas casas da região. “Já liguei na Regional e pedi que viessem recolher o entulho na rua, mas em vão”.   A prefeitura informou que, na última semana, os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) intensificaram as atividades na regional Vianópolis e que três equipes estão percorrendo os bairros da região distribuindo panfletos e conversando com os moradores para sensibilizá-los sobre o tema. O Executivo garantiu, ainda, que está ocorrendo aplicação de UBV costal – larvicida que é borrifado onde há suspeita de focos.   Crise hídrica pode agravar problema

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou, nesta semana, que um dos motivos para o aumento dos casos de dengue em todo o país é a crise hídrica, visto que muitas pessoas estão estocando água em casa. “É inquestionável que a crise hídrica e a seca apresentam uma situação de risco maior para a proliferação do <FI10>Aedes Aegypt</FI>, uma vez que as pessoas tendem a armazenar água sem proteção. Qualquer processo deve respeitar a proteção, pois a água limpa parada, mesmo que seja de chuva, de bica, vai aumentar o risco de proliferação das larvas”, avaliou.

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