'Não tive intenção de fazer isso', diz acusado de matar sócio

Leonardo Cipriano é julgado por ter matado e escondido o corpo de seu então sócio Gustavo Felício da Silva, em 2009; segundo ele, arma disparou sem querer

iG Minas Gerais | Rafaela Mansur |

Julgamento de Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano, de 37 anos, que matou em 2009 o seu sócio na Boate Pantai Lounge, no Bairro Cidade Jardim
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Julgamento de Leonardo Coutinho Rodrigues Cipriano, de 37 anos, que matou em 2009 o seu sócio na Boate Pantai Lounge, no Bairro Cidade Jardim

Acontece agora o interrogatório de Leonardo Cipriano, acusado de matar e esconder o corpo de seu então sócio Gustavo Felício da Silva, no dia 28 em agosto de 2009. "Queria que as pessoas entendessem que o que aconteceu foi uma desgraça, que eu não tive intenção de fazer isso. Sei que não tenho ideia do sofrimento que causei à família dele e à minha", disse o réu, chorando.

Ele contou que, no dia do crime, estava conversando com Gustavo na boate em que eles trabalhavam, a Pantai Lounge, no bairro Cidade Jardim, na região Centro-Sul de Belo Horizonte,  quando decidiu lhe mostrar a arma que levou para para o trabalho, como forma  de segurança. "Ele se assustou e, nesta hora, aconteceu o disparo. Daí para frente, começou esse pesadelo que não terminou até hoje", disse, também em meio a lágrimas.

Antes do interrogatório, testemunhas foram ouvidas. A acusação convocou duas testemunhas, que focaram no desentendimento ocorrido entre Leonardo e Gustavo, devido a um suposto desvio de verba de patrocínio feito por Leonardo à época. Uma das ouvidas foi Isabela Rocha, então namorada de Gustavo, que disse que ligou várias vezes no sábado, dia seguinte à morte de Gustavo, para Leonardo, que dizia não saber onde estava o sócio.

Já a defesa ouviu quatro testemunhas, entre elas um médico psiquiatra, que foi assistente técnico em uma perícia realizada em Leonardo, e uma psicóloga, que fez um teste psicológico no réu. Ambos afirmaram que constataram distúrbio de estresse pós-traumático, causado pelo disparo, que geraria entorpecimento e desorientação, o que significaria que Leonardo não tinha consciência do que estava fazendo quando ocultou o corpo de Gustavo.

A acusação, porém, apresentou a sequência dos fatos, como forma de afirmar que Leonardo tinha, sim, entendimento em relação aos seus próprios atos. Depois do disparo, Leonardo "empacotou" o corpo de Gustavo, colocou em um carrinho e levou para o primeiro andar da boate, que estava em obras, onde deixou o cadáver. Depois disso, deixou o carro de Gustavo próximo a uma agência bancária, a um quarteirão e meio de distância da boate, para simular que o sócio tinha sofrido um assalto. "Ao contrário do que a defesa afirma, o processo demonstra que ele estava orientado no momento dos crimes", disse o assistente de acusação, José Arthur de Spirito Kalil. Segundo ele, a expectativa é que Leonardo seja condenado hoje.

Em relação à ocultação do corpo, Leonardo disse que não sabe por que fez tudo aquilo. "Eu estava com medo, começou o pensamento de que tinha que esconder aquilo", afirmou.

Após o interrogatório, acusação e defesa têm direito a expor seus argumentos por uma hora e meia, cada. Depois, acusação tem direito à réplica de uma hora, e defesa à tréplica, por mais hora. O juiz então, se reúne com os jurados, para decidir o veredicto.

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