Lixo plástico nos oceanos pode se multiplicar por 10 em uma década

Este ano, estes países produziram um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos, dos quais 8 milhões de toneladas foram parar nos oceanos

iG Minas Gerais | AFP |

Após quantificar pela primeira vez os resíduos plásticos lançados em um ano nos oceanos, especialistas alertam que seu volume se multiplicará por 10 em uma década se não melhorar o processamento deste lixo, que ameaçam os ecossistemas marinhos do planeta.

Em 2010, havia nos oceanos cerca de oito milhões de toneladas de plásticos, descartados pela população de 192 países que vive a menos de 50 km da costa, indicam cientistas em um estudo publicado nesta quinta-feira na revista americana Science.

Este ano, estes países produziram um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos, dos quais 8 milhões de toneladas foram parar nos oceanos.

"Isto representa cinco sacos de supermercado cheios de dejetos plásticos a cada 30 cm ao longo da costa desses 192 países que estudamos", afirma Jenna Jambeck, professora de engenharia ambiental da Universidade da Geórgia e principal autora do estudo.

Inicialmente, os cientistas estudaram dejetos plásticos nos oceanos procedentes do solo, dos barcos e de outras fontes para criar um sistema informático.

"Rapidamente apareceu que a má gestão do tratamento dos dejetos é a principal causa desta contaminação" em crescimento, alertou Roland Geyer, professor de ciências ambientais da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

"É a primeira vez que contabilizamos a quantidade de resíduos plásticos que chegam aos oceanos durante um ano; até hoje nada tinha sido feito", afirma Kara Lavender Law, professora da Sea Education Association, em Massachusetts.

 

Alerta para 2025 A contaminação com esta causa foi mencionada pela primeira vez na literatura científica no início dos anos 1970 e depois não se voltou a fazer uma estimativa rigorosa do fenômeno, sustenta Lavender Law.

Este tipo de dano ao meio ambiente é relativamente novo. Estes materiais apareceram nos grandes mercados de consumo nos anos 30 e 40 do século passado.

Mas os mecanismos para processá-los que se conhecem atualmente começaram a se desenvolver em Estados Unidos, Europa e alguns país desenvolvidos da Ásia no início e em meados dos anos 1970.

Em outros países, "o sistema de gestão de resíduos é a última das infraestruturas que se implementa; o tratamento das águas residuais e da água potável são mais importantes", afirma Jambeck.

Com o crescimento da economia, o uso de materiais plásticos aumentou em todos os países.

Em 2013, a produção mundial de resina de plástico, adotada para fabricar numerosos artigos descartáveis depois de usá-los uma só vez, como os sacos e as garrafas, alcançou 299 milhões de toneladas, 647% a mais que em 1975.

Hoje, um americano produz em media dois quilos de resíduos por dia, dos quais 13% são plásticos.

O volume de dejetos existente em todos os oceanos revela só uma parte do problema, porque das oito milhões de toneladas só 245.000 flutuam nas águas.

O estudo "nos dá uma média das quantidades de plástico que realmente estão nos oceanos, mas que não vemos. Nós medimos o que flutua", observa Law, salientando que "importantes quantidades" destes resíduos "estão no fundo do mar e nas praias de todo o mundo".

Para Jambeck, sem uma mudança real, o efeito acumulado desta contaminação vai encher os oceanos com 115 milhões de toneladas de plástico de hoje até 2025.

"Estamos oprimidos por nossos dejetos", completa a especialista, explicando que "os modelos desenvolvidos nestas pesquisas deveriam ajudar a revisar as estratégias para melhorar a gestão mundial do tratamento de resíduos para reduzir seu fluxo até as bacias oceânicas".

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