Justiça do Egito liberta dois jornalistas da TV Al Jazeera, do Qatar

Fahmy foi solto após pagar fiança de 250 mil libras egípcias (R$ 94 mil), enquanto Mohammed deixou a prisão sem fiança; próxima audiência está marcada para dia 23

iG Minas Gerais |

Mohamed Fahmy foi julgado por suposto apoio à Irmandade Muçulmana, em junho de 2014, no Egito
AFP PHOTO / KHALED DESOUKI
Mohamed Fahmy foi julgado por suposto apoio à Irmandade Muçulmana, em junho de 2014, no Egito

A Justiça do Egito decretou nesta quinta-feira (12) a libertação dos jornalistas Mohammed Fahmy e Baher Mohammed, da rede de televisão Al Jazeera, do Qatar, presos há 411 dias no país.

Eles foram condenados de sete a dez anos de prisão em junho de 2014 por trabalhar de forma ilegal no Egito e de falsificar informações sobre a repressão aos protestos do movimento Irmandade Muçulmana em agosto de 2013.

A repressão às manifestações contra a deposição do presidente islamita Mohammed Mursi, feita por militares em julho do mesmo ano, deixou mais de 1.200 mortos em dois meses. Os jornalistas alegam inocência e se dizem punidos por fazerem o seu trabalho.

Fahmy foi solto após pagar fiança de 250 mil libras egípcias (R$ 94 mil), enquanto Mohammed deixou a prisão sem fiança. No entanto, o processo contra os dois não foi retirado e a próxima audiência sobre o caso acontecerá no dia 23.

Em nota, a Al Jazeera classificou a decisão como um pequeno passo. "O foco agora será para que a corte chegue ao veredicto correto na próxima audiência, retirando essa acusação absurda e inocentando estes dois bons jornalistas incondicionalmente".

Os dois são libertados duas semanas após a Justiça egípcia permitir a soltura de Peter Greste, jornalista australiano que também é acusado pelos mesmos crimes. Ele foi deportado de acordo com um decreto que autoriza a saída de estrangeiros condenados.

Para tentar ser libertado sob os mesmos critérios, Mohammed Fahmy renunciou à nacionalidade egípcia para que pudesse ser deportado para o Canadá. Os dois presos e as famílias comemoraram a decisão.

"Obrigado Egito por fazer a coisa certa. Estou feliz. No último ano não consegui dormir", afirmou a noiva de Fahmy, Marwa Omara, no Twitter. "ESTOU LIVRE!", disse Baher Mohammed, também no microblog.

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