Villa-Lobos vai ao museu

Orquestra Sinfônica convida a soprano Eliseth Gomes para apresentação hoje, no Museu Inimá de Paula

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Deslocamento. Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado apresenta programa inédito em museu
Paulo Lacerda / divulgação
Deslocamento. Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado apresenta programa inédito em museu

As apresentações da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais em museus já são uma tradição. Desde 2010, o corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado mantém uma programação constante no Inimá de Paula como forma de atingir um público diferente dos frequentadores de teatro. A próxima edição, que traz duas obras inéditas de Villa-Lobos e a participação da soprano Eliseth Gomes, acontece hoje e integra a programação do Verão Arte Contemporânea.

O público poderá apreciar um repertório baseado em obras do maior compositor brasileiro, como “Canções da Floresta do Amazonas” para soprano e orquestra. “Minha intenção quando concebi esse programa foi de fazer uma homenagem a Villa-Lobos, de mostrar sua versatilidade e também de propiciar ao público algo novo”, comenta o maestro Marcelo Ramos.

A experiência do novo é garantida pela presença de “Suíte de Câmara nº 2”, de 1959, criada no ano de falecimento de Villa-Lobos, sua última obra orquestral; e “Verde Velhice”, de 1922. Segundo o maestro, as peças foram cedidas a ele pelo Museu Villa-Lobos, depois do festival homônimo no Rio de Janeiro, no ano passado. O equipamento vem trabalhando em meios de resgatar trabalhos do compositor. “Será a primeira vez em que essas obras serão executadas em Minas Gerais, e isso é uma forma de levar ao público uma nova experiência”, comenta Ramos.

Por meio do programa também é possível conhecer as diferentes fases pelas quais Villa-Lobos passou e, assim, entender melhor seu trajeto. De um lado, por exemplo, consta “Choros nº 7”, para sete instrumentos, representando as obras mais experimentais que, ironicamente, foram criadas no início da carreira do compositor – geralmente compositores tendem a arriscar mais já no fim da carreira. De outro, há “Bachianas nº 5”, para orquestra de violoncelos e soprano, representando o tradicionalismo. “A formação e algumas peculiaridades ligadas aos instrumentos que fogem do padrão europeu da época caracterizam a experimentação dele”, explica Ramos.

Participação. A potente voz da soprano Eliseth Gomes entra como um ingrediente especial para o recital. “Fazia um tempo que ela não se apresenta conosco. Além disso, a voz dela é muito própria para a ocasião”, comenta o maestro. A cantora, por sua vez, concorda com Ramos. “Tenho a impressão de que Villa-Lobos escreveu (“Canções da Floresta do Amazonas”) para mim, porque me sinto tão confortável”, confessa.

Conhecida por diversos trabalhos operísticos dentro e fora do Brasil – foi Aída, da ópera de mesmo nome realizada no Uruguai –, a mineira Eliseth é um dos nomes do canto lírico mais respeitados no país. Mesmo assim, será a primeira que vez em que se apresentará em um museu. “Temo que minha voz não vá se encaixar no lugar”. Se depender da opinião de Ramos, no entanto, ela não vai terá que se preocupar. “Lá tem uma acústica favorável, sempre fica muito bom”, afirma o maestro.

Agenda

O quê. Sinfônica no Museu

Quando. Hoje, às 20h

Onde. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1.201, centro)

Quando. Entrada franca

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