Impressões em 3D dão novas perspectivas para cirurgiões

No futuro, médicos esperam imprimir partes do corpo para substituição

iG Minas Gerais | Karen Weintraub |

Transformação. 
Maquetes 3D vêm modificando a maneira como as cirurgias são feitas, aumentando a precisão e reduzindo os riscos
KATHERINE C COHEN
Transformação. Maquetes 3D vêm modificando a maneira como as cirurgias são feitas, aumentando a precisão e reduzindo os riscos

Boston, EUA. O cirurgião segurava uma órbita ocular de plástico branco transparente em cada mão. Após afastá-las com cuidado, o dr. John Meara mostrou a distância entre os olhos de Violet Pietrok ao nascer. Ele aproximou as órbitas para demonstrar suas posições 19 meses mais tarde, depois que a operou.  

Violet, agora com quase 2 anos, nasceu com um defeito raro chamado fissura facial de Tessier. Segundo a mãe, os olhos castanho-escuros da menina eram tão distantes que pareciam mais de uma ave de rapina do que de uma pessoa. Um grande tumor cresceu sobre o olho esquerdo. Ela não possuía cartilagem no nariz. Os ossos, que normalmente se unem para compor o rosto fetal, não haviam se fundido adequadamente.

Os pais, Alicia Taylor e Matt Pietrok, procuraram Meara no Hospital Infantil de Boston, a milhares de quilômetros de sua casa em Oregon porque o cirurgião plástico havia realizado quatro operações similares nos últimos três anos.

Antes de operar Violet, Meara queria ter uma compreensão mais exata de sua estrutura óssea do que por meio de uma imagem na tela. Assim, ele pediu ao colega dr. Peter Weinstock que imprimisse um modelo tridimensional do crânio de Violet, baseado em imagens obtidas por ressonância magnética.

O modelo o ajudou a decidir o que poderia ser necessário fazer e discutir o tratamento com a família. Outras três impressões tridimensionais em momentos mais próximo à cirurgia permitiram que Meara girasse o crânio em direções impossíveis com uma imagem, o que não tentaria com um paciente na mesa de operação.

Assim, ele conseguiu cortar e manipular o modelo plástico para determinar a melhor maneira de aproximar, quase três centímetros, as órbitas oculares.

Tais maquetes impressas em 3D estão transformando o tratamento médico, dando aos cirurgiões novas perspectivas e oportunidades para praticar e, a pacientes e famílias, uma compreensão mais profunda dos procedimentos complexos.

Os hospitais também estão imprimindo ferramentas de treinamento e equipamento cirúrgico personalizado. Um dia, os médicos esperam imprimir partes do corpo para substituição.

“Não existe dúvida de que a impressão 3D será uma técnica médica revolucionária”, afirmou o dr. Frank Rybicki, diretor do laboratório de ciências de imagens aplicadas do Hospital Brigham and Women's, a poucas quadras do Infantil de Boston.

“Ela reduz os procedimentos e aprimora a precisão”, disse Rybicki, radiologista que usa impressão tridimensional em seu trabalho com transplantes de face. “Quando chegar a impressão biológica, tudo mudará”, profetiza.

Por ora, a impressora expele uma camada de plástico líquido em vez de tinta. Ela acrescenta uma segunda camada, e outras até que lentamente surge um crânio ou caixa torácica – qualquer que seja a opção do cirurgião. O mesmo processo também imprime camadas de células humanas. Até agora, os pesquisadores também imprimiram vasos sanguíneos, órgãos simples e pedaços de ossos.

Redução

Pesquisadores do Departamento de Assuntos para Veteranos dos EUA afirmam que exercícios em salas de cirurgia reduziram a morte ou lesões em pacientes em até 18%.

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