Novo laudo sugere internar brasileiro condenado à morte na Indonésia

Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, foi detido por tráfico de drogas, após tentar entrar no país com 6 kg de cocaína

iG Minas Gerais | Folhapress |

Um laudo de médico credenciado pelo governo da Indonésia recomenda a internação imediata do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, em hospital psiquiátrico.

Gularte foi condenado à morte por tráfico de drogas, após tentar entrar no país com 6 kg de cocaína, e atualmente está preso em uma prisão de segurança máxima no interior do país. O governo local quer executá-lo nas próximas semanas, em data ainda não definida.

O documento, obtido pela Folha de S.Paulo, foi emitido nesta quarta-feira (11) em bahasa (idioma local) e inglês. A defesa de Gularte entregará nesta quinta-feira (12) o laudo à Procuradoria-Geral da Indonésia, órgão responsável por levar adiante as execuções, como forma de tentar evitar a execução do brasileiro.

"O paciente apresentou sintomas de transtorno mental crônico com diagnóstico de esquizofrenia paranoide e transtorno bipolar com características psicóticas", afirma o doutor em psiquiatria H.Soewadi, responsável pelo laudo. Ele entrevistou Gularte na prisão de Pasir Putih nesta terça-feira (10), com outros quatro profissionais.

"Nós sugerimos que o paciente receba tratamento psiquiátrico intensivo e medicação em um hospital psiquiátrico", recomendou o médico. Segundo Soewadi, o brasileiro apresenta "alucinações visuais e auditivas" e pensamentos "não realistas".

A defesa já havia obtido um laudo de médico indonésio sobre o estado de saúde de Gularte. Agora, é um profissional credenciado pelo próprio governo da Indonésia - sem relação com a defesa, portanto - que elabora um parecer com resultado semelhante.

O porta-voz da Procuradoria-Geral já admitiu, em entrevista à Folha em janeiro, que a apresentação do laudo poderia adiar a execução de Gularte.

Na lista

Trata-se da última chance de salvar Gularte da execução, que se dá por fuzilamento. Não há mais recursos judiciais a fazer - em janeiro, uma das etapas burocráticas antes da execução foi cumprida: o presidente Joko Widodo negou clemência ao brasileiro.

Há uma corrida contra o tempo para apresentar o laudo e tentar tirá-lo da relação de próximos executados. Nesta quarta-feira (11), a Embaixada do Brasil em Jacarta foi instada a comparecer em reunião no Ministério das Relações Exteriores indonésio na próxima segunda-feira (16) para discutir procedimentos relacionados à execução.

Foi a primeira vez que o Brasil soube, oficialmente, que o brasileiro está na lista de executados. O governo sinalizou que pretende fazer as execuções na última semana de fevereiro.

Em 18 de janeiro (horário da Indonésia, 17 no Brasil), Marco Archer Cardoso Moreira foi fuzilado na Indonésia, com outras quatro pessoas. Ele foi o primeiro brasileiro em tempos de paz a ter sido executado.

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