PT irá processar delator da Operação Lava Jato, diz Rui Falcão

PT irá processar delator da Operação Lava Jato, diz Rui Falcão

iG Minas Gerais | Folhapress |

Favorito. 
Com 50% dos votos apurados, Odair Cunha já assumia a liderança da disputa em Minas
ANGELO PETTINATI / O TEMPO
Favorito. Com 50% dos votos apurados, Odair Cunha já assumia a liderança da disputa em Minas

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, anunciou nesta quarta-feira (11) que o partido irá processar o ex-gerente da Petrobras Pedro José Barusco Filho. Barusco declarou, em depoimento de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, que o PT recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões provenientes de propina da petroleira.

"Nós vamos fazer uma interpelação cível e criminal contra esse bandido Pedro José Barusco Filho", disse Falcão, na sede do diretório nacional do PT em São Paulo. O dirigente informou, ainda, que seu partido irá adotar a mesma postura com todos os que fizerem declarações "sem provas", o que seria, de acordo com ele, o caso.

Rui Falcão reafirmou o que o PT tem declarado desde que apareceram as primeiras suspeitas de recebimento de propina: todas as doações recebidas pelo partido foram legais e declaradas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Questionado se houve triangulação do dinheiro --empreiteiras conseguiam contratos com a Petrobras e, por isso, fariam doações legalmente ao partido--, Falcão afirmou que o partido não tem como saber se esse esquema acontecia. "A gente recebe [doações] de boa-fé", disse. "Como é que passa recibo para dinheiro de caixa dois?", finalizou.

O partido também irá entrar com pedidos de sindicância no Ministério da Justiça pedindo que sejam investigados supostos vazamentos de informação por parte da Polícia Federal, subordinada à pasta.

O PT também pedirá que haja uma apuração para descobrir, caso vazamentos de informação sejam comprovados, se eles foram seletivos --ou seja, se apenas dados negativos ao partido foram divulgados.

Durante a entrevista, Falcão disse ainda que delegados envolvidos na Lava Jato quebraram o princípio da impessoalidade, ao manifestar-se a favor do então presidenciável tucano, senador Aécio Neves (MG), em redes sociais. O caso foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" em novembro do ano passado. Os delegados também faziam críticas ao PT, à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Sobre as relações de petistas com o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque, que teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o presidente da sigla afirmou que eram apenas "relações sociais", sem ligação com recebimento de doações ao partido. Na quinta-feira (5) passada, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi conduzido à sede da PF em São Paulo para prestar esclarecimentos sobre, entre outros assuntos, suas relações com Duque. Ele confirmou que se encontrou com o ex-diretor no hotel Windsor, no Rio, mas disse que foram somente conversas sociais.

Em outro trecho de seu depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-gerente Barusco narrou que Vaccari e Duque --seu ex-chefe na estatal-- se encontraram não apenas no Windsor, o que o tesoureiro confirmou, mas também em um hotel de Santos (SP). Rui Falcão afirmou nesta quarta que o ex-gerente não foi indicado ao cargo pelo PT. "Quem indicou o Barusco, não sei", afirmou. "Não foi do PT".

IMPEACHMENT

O presidente nacional do PT também comentou as recentes movimentações a favor de um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pedido de um advogado ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), o jurista Ives Gandra da Silva Martins elaborou um parecer afirmando que há base legal para o pedido na Câmara dos Deputados, informação revelada pela revista "Veja".

De acordo com a publicação, o documento teria sido elaborado, originalmente, a pedido de uma das empreiteiras implicadas na Operação Lava Jato --a revista não revela qual.

Em texto publicado na Folha de S.Paulo na terça-feira (3) passada, Ives Gandra explica as razões por que acredita que há base legal para sustentar um impeachment. Após uma análise detalhada, ele diz que "à luz de raciocínio exclusivamente jurídico" o pedido é possível. "Não deixei, todavia, de esclarecer que o julgamento do impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico", termina Ives Gandra.

Para Rui Falcão, entretanto, não é possível mencionar a hipótese. "Não vejo nenhuma base jurídica nem política", afirmou. Ele classificou essas movimentações como "flertes com o golpismo".

Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta terça-feira (10), o presidente nacional do PSDB e senador Aécio Neves disse que "não é crime falar" sobre o assunto. "Desconhecer que há um sentimento de tamanha indignação na sociedade é desconhecer a realidade."

No dia anterior, dois senadores --o líder tucano Cássio Cunha Lima (PB) e o petista Lindbergh Farias (RJ)-- bateram boca em plenário por causa do tema.

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