Líbero Léia comprova qualidade que a fez chegar na seleção

Jogadora do Pinheiros nunca tinha sido convocada, sequer, para times de base do Brasil, mas comprovou talento entre as melhores do mundo

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Léia acredita que chegou à seleção no momento certo da carreira
RICARDO BUFOLIN
Léia acredita que chegou à seleção no momento certo da carreira

Quando a líbero do Rexona-Ades-RJ, Fabi, anunciou que não jogaria mais pela seleção brasileira, uma dúvida apareceu na cabeça do técnico José Roberto Guimarães e também na de muitos torcedores do país. Além de Camila Brait, reserva imediata de Fabi, poucas opções existiam em território nacional. Talvez a mineira Suellen, do Sesi-SP, fosse a candidata mais forte, mas a escolhida foi Léia, do Pinheiros-SP, que teve sua primeira convocação para o time verde-amarelo no Campeonato Mundial do ano passado, com 28 anos. Até então, ela nunca havia sido chamada para representar o Brasil, nem mesmo em seleções de base.

O desconhecimento e dúvida de alguns se transformou em certeza e alívio quando a atleta teve oportunidades de mostrar seu valor dentro de quadra, durante revezamentos feitos por Guimarães. "Foi uma surpresa ser convocada, realmente não esperava. Eu já vinha conversando com a Fabi e ela tinha me dado algumas indiretas, como 'se prepara que sua hora está chegando'. Mas não levei muito a sério", admite a paulista de Ibitinga.

Ter atuado próximo ao ex-treinador do time feminino de Campinas (hoje extinto) foi importante para a defensora ter seu trabalho reconhecido. "Eu já havia enfrentado várias vezes a equipe que o Zé comandava e acho que isso pesou. Ele conhecia as opções disponíveis e estar próxima de onde ele trabalhava contribuiu", mostra.

Depois de começar no vôlei com apenas 10 anos, foi em Piracicaba, cidade vizinha a sua terra natal, que Leia começou a levar a sério a ideia de viver do vôlei. "Foram 10 anos ali, onde aprendi muito. Um dos meus treinadores, o Marcelo Nicolossi, foi essencial para que eu chegasse aonde estou hoje. Ele viu meu potencial para ser líbero e 'bateu o pé' para que eu assumisse essa função", lembra Léia, que começou no esporte como ponteira. Foi em Piracicaba que ela conheceu Régis, ponta do Rexona, que atuou ao seu lado os primeiros anos de carreira.

Passagem por MG. Mesmo tendo a maior parte de sua carreira fincada em São Paulo, Léia também guarda boas lembranças da temporada em que jogou no Mackenzie, sob o comando de Antônio Rizola. "Cheguei no clube já sabendo quem ele era. Seu nome era muito conhecido no meio do vôlei e eu tinha boas referências dele. Isso pesou para eu aceitar o convite. Tínhamos um time com muitas atletas que hoje estão em grandes clubes, como a central Letícia Hage, do Praia, a Roberta, levantadora do Rexona, a Carol, central do mesmo time. O Rizola tinha uma facilidade para trabalhar com jovens atletas, este era o perfil dele e do time. Foi uma geração que tinha passagem pelas seleções de base, aprendi muito no Mackenzie", recorda Léia.

Mesmo dando prioridade para as quadras, ela fez questão de cursar e se formar em Educação Física.

Preparada. Mesmo tendo atuado somente por clubes antes de estrear na seleção, Léia garante que não sentiu tanta diferença do trabalho realizado na equipe do seu país. Ela deu a sorte de integrar o elenco do país sede da Olimpíada de 2016 faltando pouco tempo para os jogos. "As atividades que eu estava acostumada a fazer nos times já era forte, até mesmo em Piracicaba. Claro que penso em defender meu país, mas não me prendo a isso e sei que preciso continuar trabalhando forte no Pinheiros. Gostei muito de fazer parte da seleção, o trabalho do Zé é ótimo. Sei que ainda tenho muita coisa para aprender e um longo caminho para percorrer", detalha.

Para ela, sua chegada na seleção aconteceu na hora certa. "Fui convocada em um período importante da minha carreira, quando estava bem madura e preparada. A rotina não é fácil, você está ao lado e enfrenta as melhores do mundo. Acho que seria melhor se tivesse ido para a seleção mais cedo, mas tudo tem sua hora. Se não deu pra ir antes, é porque não era para ser. Não fico lamentando isso", indica.

Evolução e dependência. Apesar do Pinheiros, clube que defende há três anos, não ter o mesmo investimento de potências do vôlei nacional, a equipe paulistana mostrou seu valor ao conseguir incomodar boa parte destes times. Atualmente, o time está na quinta posição da Superliga. "Estamos fazendo um bom trabalho, isso nos dá uma satisfação muito grande. Queremos terminar a fase de classificação em uma boa posição. O clube sempre batia na trave e o título da Copa Brasil nos colocou em outro patamar. A cada ano, temos melhorado. Acredito que um patrocinador possa abrir os olhos para o nosso time no próximo ano para formar um elenco ainda mais qualificado. Infelizmente, os times do Brasil dependem disso", lamenta.