Morre aos 100 anos o ex-chefe da propaganda chinesa Deng Liqun

Deng Liqun faleceu na terça-feira (10) em Pequim, anunciou o Partido Comunista Chinês em um comunicado

iG Minas Gerais | AFP |

O ex-chefe do serviço de propaganda da China Deng Liqun, muito crítico a respeito das reformas econômicas estimuladas pelo falecido presidente Deng Xiaoping, morreu na terça-feira (10) aos 100 anos, informa a imprensa estatal.

Deng Liqun faleceu na terça-feira (10) em Pequim, anunciou o Partido Comunista Chinês em um comunicado, citado pela agência oficial Xinhua.

Em um breve texto de dois parágrafos, a Xinhua afirma que Deng Liqun "foi elogiado no comunicado como um excelente membro do Partido, um soldado comunista leal, um revolucionário proletário, um destacado líder no trabalho de difusão da ideologia e da t eoria do Partido, e um teórico do marxismo".

Deng Liqun entrou no Partido Comunista em 1936 e, depois da vitória das forças de Mao Tsé-Tung em 1949, trabalhou na região oeste de Xinjiang, para superar a resistência dos muçulmanos da área ao poder comunista.

Durante a Revolução Cultural foi punido, mas foi reabilitado nos anos 1970. Entre 1982 e 1985 dirigiu os serviços de propaganda e teve um papel importante na punição de vários intelectuais liberais.

Mais tarde foi um crítico veemente da abertura econômica do presidente Deng Xiaoping.

Em 1995 distribuiu um documento interno no qual afirmava que o forte desenvolvimento econômico propiciado pelas reformas do veterano líder ameaçavam destruir o Partido Comunista e o socialismo.

Em outro documento distribuído antes da morte de Deng Xiaoping em fevereiro de 1997, acusava este e seu protegido, o então presidente Jiang Zemin, pela possível destruição do partido.

Em 2001 atacou em uma carta aberta a vontade de Jiang Zemin de permitir a entrada no Partido Comunista de empresários capitalistas.

A carta criticava a corrupção reinante no partido desde o início das reformas econômicas no país 20 anos antes, o que continua sendo um grande problema.

"Os empresários privados estabeleceram há muito tempo vínculos com membros do Partido Comunista, em uma troca de dinheiro por poder", afirmava a carta.

"Ao entrar no Partido Comunista Chinês, a corrupção na China será mais aberta, e o Partido se tornará mais corrupto, já que cada nível deste desejará que os empresários privados se convertam em membros do partido", completava o texto.

Leia tudo sobre: chinapropagandachefeDeng Liqun