Em 1999, PT defendia nova eleição, e PSDB dizia ser golpe

Ambos os textos demonstram como tudo é uma questão de ponto de vista

iG Minas Gerais |

“Após frustrar irremediavelmente a generosa expectativa da nação, resta a Fernando Henrique uma única atitude: reconhecer o estado de ingovernabilidade do país e propor ao Congresso uma emenda constitucional convocando eleições presidenciais para outubro, dando um desfecho racional ao seu segundo e melancólico mandato, que terminou antes mesmo de começar”.

Não fosse pelo nome do presidente no texto, seria facilmente possível crer que ele é atual, provavelmente escrito por um tucano diante da crise de confiança no governo petista, um mês após o início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. É, no entanto, de 1999, de autoria do petista Tarso Genro, então dirigente nacional do PT, em questionamentos duros a FHC, 25 dias após este tomar posse para seu segundo período de quatro anos.

O artigo publicado na época pelo jornal “Folha de S.Paulo” recebeu resposta dos tucanos em linha oposta, no dia seguinte, no mesmo jornal. “O senhor Tarso Genro propõe violar a vontade popular expressa democraticamente nas urnas em 4 de outubro último, destruir o Estado de Direito duramente reconstruído após 22 anos de ditadura e rasgar a Constituição”, dizia texto assinado por Teotônio Vilela Filho, então senador e presidente da Executiva nacional tucana.

Ambos os textos demonstram como tudo é uma questão de ponto de vista. O PT, na oposição, enxergava um governo ilegítimo, enquanto o PSDB acusava um golpe. Hoje é o contrário: o PSDB encampa a ideia do impeachment, enquanto o PT afirma que é antidemocrático. Eis a política.

Recordar é viver Na mesma linha do “recordar é viver” que envolve a troca de posições ao longo da história política, em almoço de desagravo ao ex-comandante da Força Aérea Brasileira brigadeiro Walter Bräuer, que reuniu militares insatisfeitos com o governo Fernando Henrique em dezembro de 1999, o já deputado federal e capitão do Exército Jair Bolsonaro defendeu que o Brasil seguisse “o modelo de Hugo Chávez”, coronel e presidente da Venezuela na época. “Se surgisse uma liderança, poderíamos mudar isso que aí está”, afirmou. Se nesse ponto ele mudou radicalmente, em outros continua o mesmo. Tanto que completou na época que torcia por uma “crise militar”, o que seria diferente de golpe na avaliação dele. “É a maneira mais rápida de mudar”.

Enquanto isso... Enquanto os parlamentares mineiros tiveram relativa tranquilidade para aprovar o auxílio-moradia, com muita indignação pelas redes sociais mas pouca gente nas galerias, na Assembleia Legislativa do Paraná o clima esquentou nesta terça. Houve invasão do espaço em meio aos protestos contra um pacote de medidas propostas pelo governo. Isso mesmo com os portões fechados desde cedo, sob o risco de manifestação. O protesto se ampliou com a criação de uma comissão geral, que acelera a tramitação. O projeto prevê medidas como o fim de gratificações por tempo de serviço de servidores e a extinção do fundo previdenciário do Paraná Previdência – garantindo ao governo o acesso a R$ 8 bilhões então reservados para o pagamento de futuras aposentadorias.

FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL Paulinho da Força (SD-SP)

Negociação. Dirigentes das centrais sindicais, capitaneados pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), se reuniram nesta terça com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os sindicalistas pedem que a Casa rejeite as medidas provisórias que afetam direitos trabalhistas no ajuste fiscal. Após o encontro, Cunha pediu cautela, afirmou que o ajuste é necessário, mas que os direitos precisam ser preservados.

22 DEPUTADOS já não estão mais no exercício do mandato oito dias após a posse na Câmara. Eles se licenciaram para ocupar funções no Executivo

Montes Claros. O prefeito Ruy Muniz anunciou que a Cidade Administrativa de Montes Claros funcionará na antiga Coteminas. O espaço custará por R$ 48 milhões. Reforma e compra de móveis consumirão R$ 30 milhões. A estimativa mínima de economia é de R$ 4 milhões por ano. Assim, demoraria quase 20 anos para que a mudança seja paga.

Inquérito do cartel A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça, por maioria de votos, arquivar o Inquérito 3.815, relativo a supostas irregularidades em licitações do metrô de São Paulo e instaurado contra o ex-deputado federal José Aníbal (PSDB-SP) e o deputado Rodrigo Garcia (PSDB-SP). Votaram pelo fim das investigações contra os dois, os ministros Marco Aurélio, relator do caso, Dias Toffoli e Luiz Fux. A presidente da Turma, ministra Rosa Weber, e o ministro Luís Roberto Barroso já haviam votado pelo prosseguimento do inquérito.

Bom tratamento Será julgado hoje pela Corte de Cassação da Itália o pedido de extradição do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no mensalão. Pizzolato fugiu para a Itália às vésperas de ser preso. O curioso é que para tentar convencer os italianos a extraditarem alguém que também tem cidadania de lá, as autoridades brasileiras tiveram que garantir que Pizzolato passará bem na cadeia. “Os apenados ficam em uma ala no presídio da Papuda, no qual a taxa de homicídios é quase zero e na qual o condenado terá tratamento diferenciado”, diz o recurso produzido por um advogado contratado pelo Brasil.

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