Servidores invadem Assembleia do Paraná para evitar votação de projeto

Manifestação adiou análise do projeto que prevê corte em benefícios ao funcionalismo do Estado

iG Minas Gerais | Folhapress |

Servidores públicos estaduais acampam desde a terça-feira (10) por tempo indeterminado na Assembleia do Paraná em protesto contra a votação de um pacote de medidas do governo Beto Richa (PSDB) para cortar os gastos públicos.

Segundo o sindicato dos professores, ao menos 800 servidores das áreas de educação e saúde dormiram em barracas e no chão da Assembleia na madrugada desta quarta-feira. Mais cedo, centenas de manifestantes invadiram a Assembleia, no meio da votação das propostas, e suspenderam a sessão.

Os manifestantes pularam das galerias para o plenário, aos gritos de "vergonha" e "o povo unido jamais será vencido". Outros que estavam do lado de fora derrubaram um portão e também entraram no prédio. Vidros e portas foram quebrados, mas não houve confronto com a PM.

Os deputados tiveram que se refugiar em uma sala anexa ao plenário. Escoltados por policiais, conseguiram chegar ao prédio dos gabinetes, vizinho ao prédio principal. Um deles chegou a tirar o paletó e a gravata, tentando não ser identificado por manifestantes.

PMs fizeram um cordão de isolamento entre o plenário e os outros prédios, para impedir novas invasões.

A votação foi adiada, já que os manifestantes decidiram continuar na Assembleia por tempo indeterminado.

Crise

Do lado de fora, cerca de 10 mil servidores e professores da rede pública, em greve desde segunda (9), protestavam desde manhã contra o governador tucano. A estimativa foi feita pela PM. Reeleito no ano passado, Richa tem enfrentado uma crise financeira há pelo menos dois anos, que já forçou o Estado a suspender obras, atrasar pagamentos e parcelar salários de servidores.

Na última semana, o tucano propôs um pacote de medidas para aliviar o caixa, que incluem a mudança da previdência dos servidores públicos (que passam a ter um teto de vencimentos), o fim do anuênio e o corte de um quarto do orçamento.

O "pacotaço das maldades", como foi apelidado pela oposição, é o principal alvo dos protestos. O governo argumenta que as medidas são "duras, mas necessárias", e que precisam ser aprovadas para garantir o pagamento dos salários e retomar os investimentos. "O momento é dificílimo. O país atravessa uma crise", afirmou o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).

Leia tudo sobre: servidoresparanágreveassembleia