Brasil é o 4º país com mais clientes no caso ‘SwissLeaks’

Banco HSBC teria facilitado a milhares de clientes no mundo esconder dinheiro do Fisco

iG Minas Gerais |

Três mulheres do grupo Femens, de topless, se jogaram sobre o carro de Strauss-Kahn quando ele chegava ao julgamento, em Lille
DENIS CHARLET/afp
Três mulheres do grupo Femens, de topless, se jogaram sobre o carro de Strauss-Kahn quando ele chegava ao julgamento, em Lille

Rio de Janeiro. A investigação realizada por 154 jornalistas de 45 países e batizada de “SwissLeaks” revelou que o Brasil ocupa a quarta posição em número de clientes com passaporte ou nacionalidade brasileira ligados a contas do HSBC em Genebra, atrás apenas de Suíça, França e Reino Unido.  

Os dados fazem parte de documentos bancários que revelam como a instituição britânica teve um papel ativo em facilitar a abertura de contas, sem perguntar a origem do dinheiro, e ajudando, em muitos casos, a evadir impostos.

Os documentos vazados por um ex-funcionário da área de informática do banco mostram ainda que o Brasil é o nono país em volume de dinheiro associado a contas no paraíso fiscal, com um total de US$ 7 bilhões no período analisado, entre 2006 e 2007.

A análise dos documentos vazados por um ex-funcionário da área de informática do banco está em fase preliminar e ainda não se sabe quais contas participaram de operações ilegais.

Segundo o levantamento, as contas cadastradas correspondem a um período entre 1988 e 2007, e nem sempre foram declaradas nos países de origem dos clientes. Não é ilegal, entretanto, manter um conta na Suíça. Os arquivos obtidos pelo jornal “Le Monde” e repassados ao ICIJ (The International Consortium of Investigative Journalists) revelam que 8.667 clientes tinham algum vínculo com o Brasil, sendo 55% com a nacionalidade brasileira. No total, foram abertas 6.606 contas.

Segundo editorial do “Le Monde”, o escândalo é um divisor de águas na história do sigilo bancário e dos paraísos fiscais.

Até o momento, dois nomes ligados ao Brasil foram revelados pelo consórcio. Um deles é o de Edmond J. Safra, libanês naturalizado brasileiro que fundou diversos bancos no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça, entre eles o Banco Safra. Morto em um incêndio em 1999 na sua casa em Mônaco, Safra estava ligado a sete contas na filial suíça do HSBC. A viúva Lily Safra foi titular de uma conta criada 26 dias após a morte do marido, que acumulava US$ 4,6 milhões no período analisado. Além desta, ela também estava ligada a mais quatro contas.

Legais. Em nota ao ICIJ, um porta-voz disse que “todas as contas detidas pela sra. Safra ou pela Fundação Edmond J. Safra foram abertas exclusivamente para efeitos legais e normais da gestão de assuntos familiares e de negócios”.

A investigação também revelou que a família Steinbruch era cliente da filial suíça da instituição entre 2006 e 2007. Os membros da família Steinbruch são fundadores do conglomerado Vicunha, maior grupo têxtil da América Latina.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave