Freud, cães e a personalidade dividida

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souzza
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Outro dia, no grupo do WhatsApp da minha família, meu primo Gui mandou uma mensagem de voz em que falava com Mel, sua cachorrinha. Recebeu vários “kkkkk” e “hahaha” como resposta. Eu, imediatamente, mandei a minha com o jeito que falo com Paco e também fiz todo mundo rir. É, é ridículo, mas quem se importa? Cada um tem seu jeito de demonstrar seu amor, e, como não podemos escrever cartas para eles, somos ridículos de outra maneira. Afinamos a voz, inventamos vários apelidos carinhosos e brincadeiras e os tratamos feito bebês, como se fossem nossos filhos ou netos (não importando, se na idade canina, eles têm idade para ser nossos avós). Como acho que ninguém está a salvo desse papel “ridículo” quando o assunto é demonstrar afeto para nossos bichinhos (a atriz Glória Pires postou um vídeo fofo no Facebook há poucos dias pedindo beijinho pra “netinha” canina), fico imaginando quais seriam a voz e as palavras que Sigmund Freud usava com Jofie e Lün, suas chow-chows. “Herr professor” tinha tanto apreço por suas cachorras que elas costumavam acompanhar as sessões de análises. Jofie era quem se levantava para avisar ao paciente que seu tempo havia terminado. Lün foi quem acompanhou o Pai da Psicanálise nos momentos mais críticos da doença que o levou à morte. Freud disse certa vez que preferia a companhia dos animais à dos seres humanos, porque aqueles eram mais simples: “Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de se adaptar a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico”, disse ele. E essas palavras de Freud ganham mais sentido quando me lembro do vídeo que chocou meio mundo nos últimos dias: um empresário do Rio de Janeiro maltratando as cadelas de sua noiva, Gucci e Victoria. A gravação mostra ele segurando uma delas e, em seguida, dando uma cabeçada no focinho do animal, depois, a suspende pelas patas traseiras e solta. Em outro vídeo, ele pega uma das cachorras debaixo de uma mesa, a suspende pelo pescoço e atira-a no chão com toda a força. Depois da repercussão, antes de apagar suas contas nas redes sociais, o empresário se defendeu no Instagram. Abaixo da foto de um cãozinho, ele escreveu que “adora animais, inclusive tem sete cachorros, sendo um vira-lata que pegou na rua” e que sua ex-namorada está tentando fazê-lo se passar por um monstro por “questões de término de relacionamento” e que só é mostrado um lado da história (oi?). Diz que está profundamente arrependido... Gucci e Victoria concordariam com Freud...

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