Chuva não resolveu problema

Primeiros dias de fevereiro tiveram mais água do que janeiro, mas situação ainda é crítica

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Crítico. Situação da represa Serra Azul ainda é complicada, pois chuvas que caíram nos últimos dias não encheram o reservatório
Uarlen Valério
Crítico. Situação da represa Serra Azul ainda é complicada, pois chuvas que caíram nos últimos dias não encheram o reservatório

Em menos de nove dias, fevereiro registrou mais chuva do que em janeiro inteiro. Do dia 1º até as 9h de ontem, foram 100 mm em Belo Horizonte, frente a 94 mm nos 31 dias anteriores, segundo o meteorologista Dayan Diniz de Carvalho, do Instituto TempoClima/PUC Minas. O bom volume de chuvas registrado principalmente desde a última quinta-feira não representou aumento significativo no nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de Belo Horizonte.

“A chuva dos últimos dias foi muito importante, mas não enche reservatório”, diz o climatologista Eduardo Neto Ferreira, professor da Fumec. Nos três que compõem o sistema Paraopeba – Vargem das Flores, Rio Manso e Serra Azul – a alta média foi de 0,6 ponto percentual, atingindo 30,1%, de acordo com a Copasa. No rio das Velhas, a vazão, que na última quarta-feira era de 19,5 m³/s, chegou a 29,7 m³/s no domingo, último dado disponível.

O climatologista explica que, como as chuvas vieram depois de um longo período de seca, as primeiras águas foram absorvidas pelo solo e abasteceram os lençóis freáticos. As chuvas dos próximos dias devem chegar com mais força aos reservatórios. A previsão do Instituto TempoClima/PUC Minas é que, nesta semana, deve chover mais 50 mm em BH, o que deve aproximar do volume esperado para o mês. A média histórica de fevereiro é 206 mm para o mês. Em janeiro, a média histórica é 296 mm, mas choveu apenas 94 mm.

Ontem, em reunião da força-tarefa criada para gerir o abastecimento de água no Estado, que reúne diversas secretarias e órgãos públicos, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, destacou que a situação dos reservatórios continua a preocupar, mesmo com as recentes chuvas. Há reuniões de trabalho em andamento e ações para buscar soluções em médio e longo prazos.

Economia. No curto prazo, a Copasa pede economia de 30% no consumo para evitar a adoção de rodízio ou racionamento. A redução foi pedida em janeiro e a meta deveria ser alcançada dentro de três ou quatro meses. Na época, a presidente Sinara Meireles disse que o apelo era para todos os clientes da empresa que são, em sua maioria, residenciais, prestadores de serviço e pequenos comércios ou indústrias.

 

Emergência

Seca. Já são 123 os municípios mineiros que decretaram situação de emergência por causa da seca, de acordo com a Defesa Civil do Estado. No fim de 2014, eram cem cidades nesta situação.

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