A R$ 2,779, dólar segue no maior valor desde dezembro de 2004

Já o dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, fechou estável em R$ 2,778, após alcançar a máxima de R$ 2,798

iG Minas Gerais | Folhapress |

Dólar atinge maior valor em dez anos com dados de emprego nos EUA
ADEM KAYA/ARQUIVO STOCKXPERT
Dólar atinge maior valor em dez anos com dados de emprego nos EUA

 O clima de aversão ao risco que contagiou o dólar na manhã desta segunda-feira (9) se dissipou ao longo da sessão. Após atingir a máxima de R$ 2,799, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, freou a alta e subiu 0,20% em relação ao real, cotado a R$ 2,779. Ainda é o maior valor desde 9 de dezembro de 2004, quando a moeda encerrou a R$ 2,780.

Já o dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, fechou estável em R$ 2,778, após alcançar a máxima de R$ 2,798. O valor desta segunda é o maior nível desde 9 de dezembro de 2004, quando encerrou a R$ 2,781.

Para Fábio Lemos, da São Paulo Investments, a forte alta da moeda na manhã desta segunda (9) teve influência da piora da perspectiva para a crise grega, com o país relutando em renegociar sua dívida com os credores, mas também reflete ainda os dados de emprego nos Estados Unidos divulgados na sexta-feira (6).

"O mais importante do dado divulgado na sexta foi a elevação do salário. A preocupação de toda politica monetária do Fed (banco central americano) é com os salários, que podem pressionar a inflação", avalia Lemos. "A expectativa de elevação de taxa de juros se baseia em dois fatores: o petróleo subindo e a melhora forte do salário, o que pode causar inflação", ressalta.

O petróleo vem de três sessões seguidas de alta no mercado internacional. E nesta segunda (9) a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) elevou a previsão de demanda por seu próprio petróleo em 2015, afirmando que a redução pela metade dos preços desde junho deve retardar a produção nos Estados Unidos e em outros países mais rapidamente do que se pensava antes.

Com a elevação da taxa de juros, o Fed usaria a mesma "arma" que o Banco Central brasileiro tem usado para conter o aumento de preços.

Ao mesmo tempo, os juros mais altos nos Estados Unidos tendem a atrair recursos internacionais para investimentos em títulos americanos -remunerados pela taxa e considerados de baixo risco-, em detrimento de aplicações mais arriscadas, como em países emergentes. Diante da perspectiva de entrada menor de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe.

Na manhã desta segunda (9), o Banco Central deu continuidade às atuações diárias no mercado cambial e vendeu a oferta de 2.000 contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 900 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.100 contratos para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 97,9 milhões.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13.000 contratos de swap para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 36% do lote total.

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