Começa a corrida por soluções para driblar a crise hídrica

Empresas do setor já investem em tecnologia de reaproveitamento de água e lavagem a seco

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Lavanderia. 
Mesmo com reservatório extra e máquinas econômicas, Terezinha teme a escassez
MISES SILVA / O TEMPO
Lavanderia. Mesmo com reservatório extra e máquinas econômicas, Terezinha teme a escassez

Setores que têm na água seu principal insumo já estão sentindo os impactos da crise hídrica nos negócios. É o caso do Lavajato Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Conforme o proprietário da empresa, Rodrigo Teixeira de Oliveira, a demanda em janeiro caiu 30% na comparação com o mês anterior. Para ele, o motivo foi o anúncio pelo governo mineiro da necessidade de racionamento em janeiro deste ano.  

“Eu comecei a sentir os reflexos da falta d’água na segunda quinzena de dezembro de 2014. Eu tinha clientes que lavavam o carro toda semana. Agora, só uma vez ao mês”, diz.

Antes mesmo de a crise piorar, o empresário tomou medidas preventivas, como a implantação do sistema de reaproveitamento da água, que começou a funcionar há quatro meses. “Também capto água da chuva há seis anos. No momento, tenho uma caixa de 20 mil litros de reserva. Caso falte água, isso é suficiente para manter o lava-jato funcionando por, no máximo, um mês”, diz.

Diante do cenário de escassez de água, a lavagem a seco é uma boa alternativa. Por isso, Oliveira implantou a opção há 30 dias. “Com um frasco de meio litro, um carro inteiro é lavado. Só que ainda existe receio porque tem gente que acha que pode arranhar o veículo, o que não é verdade”, afirma.

Oliveira quer incentivar seus clientes a adotarem o serviço a seco. “Hoje, de 20 carros que chegam ao lava- jato, seis optam pela nova modalidade, que eu quero aumentar neste ano”, frisa.

De acordo com o empresário, a água representa 17% dos custos do lava-jato, só perdendo para os gastos com energia (23%). “Os custos vão subir, pressionados pela energia, mas estou segurando os repasses. Afinal, já não há clientes e, se aumentar o valor cobrado, ficará ainda mais complicado”, pondera Oliveira.

No Spa Espaço Águas Claras, em Macacos, algumas medidas foram tomadas para economizar água, segundo a diretora Simone Gomes. “A lavagem da roupa de cama acontecia em dias alternados. Agora, é de quatro em quatro dias”, diz.

Ela conta que nos quartos há um display chamando a atenção para a questão ambiental, como já acontece em vários países. “Só não tem como pedir para o cliente economizar, acredito que ele já sabe da situação que o país está passando e vai colaborar, mas pedir para poupar água ou energia é complicado. Afinal, ele procura o spa para relaxar”, observa.

A proprietária do Unique Hostel, no centro de Belo Horizonte, Patrícia Coutinho, conta que o empreendimento conta com placas solares para o aquecimento da água, o que ajuda na economia de energia elétrica. “Agora, se faltar água, a solução será o caminhão-pipa”, diz.

Preocupação Escassez. No fim de janeiro, a Copasa informou que a água pode acabar até agosto na região metropolitana de BH, caso o índice de chuvas não seja superior ao registrado em 2014.

Franquia quer difundir a limpeza a seco O racionamento de água pode ajudar a House Maid – empresa de serviços de limpeza a seco – a conseguir mais clientes, segundo a franqueada da marca Cristina Pataca. “O problema é que muita gente ainda desconfia da limpeza a seco. Tenho clientes que me pedem para jogar água nas áreas externas, o que não é necessário”, diz. O serviço é feito com aspiradores potentes e panos de microfibra com produtos desinfetantes. Para uma casa de cerca de 100 m², gasta-se, em média, um balde e meio de água.

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