Depressão materna pode começar antes mesmo de dar à luz

De dez a 20% das mães vivenciam algum distúrbio até um ano após o parto

iG Minas Gerais | Pam Belluck |

Mulheres com sintomas mais severos de depressão materna relataram maiores complicações durante o parto
Simona Balint / stockxpert
Mulheres com sintomas mais severos de depressão materna relataram maiores complicações durante o parto

Nova York, EUA. Um grande estudo documentou vínculos inesperados no período e na severidade dos sintomas da depressão materna, podendo auxiliar mães e médicos a melhor antecipá-la e a tratar o problema.  

A pesquisa constatou que nas pacientes com sintomas mais severos – pensamentos suicidas, pânico, choro frequente –, a depressão geralmente começava durante a gravidez, não após o parto, como se costuma pensar.

Em geral, mulheres com depressão moderada desenvolveram os sintomas após darem à luz e, com maior probabilidade do que as com depressão severa, tiveram complicações durante a gravidez, tais como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou hipertensão.

As mulheres com depressão severa, no entanto, relataram que tiveram complicações com maior frequência durante o trabalho de parto.

“Esse é o maior estudo até agora sobre sintomas da depressão pós-parto. Definitivamente, este é o primeiro passo na direção certa, para sabermos que a depressão não é igual em todos os casos”, disse Leah Rubin, professora assistente do Programa de Pesquisa da Saúde Mental Feminina da Universidade de Illinois, em Chicago, e coautora de um comentário sobre o estudo.

Panorama. De dez a 20% das mães vivenciam depressão, ansiedade, distúrbio bipolar ou outros sintomas em algum momento da gravidez a até um ano após dar à luz. O estudo poderia auxiliar os esforços para encontrar causas que levam à depressão materna e possíveis tratamentos.

Previsão do dia do parto falha em 96% dos casos, diz estudo Londres, Reino Unido. Dados divulgados na semana passada pela Perinatal Institute, uma ONG britânica, mostram que as datas previstas para o parto (DPPs) quase nunca são precisas. Na verdade, apenas 4% dos bebês nascem na data estimada. Se por um lado é útil para os pais ter uma ideia de quando o bebê vai chegar, a principal função da data do parto é “definir uma métrica para o acompanhamento médico” durante a gravidez, explica o professor Jason Gardosi, da Perinatal. O conselho para grávidas, Gardosi afirma, é que o parto ocorra em qualquer momento entre a 37ª e a 42ª semana de gestação, quando o bebê atingiu a maturidade esperada. “Precisamos explicar a elas que essa é apenas uma data que nos ajuda a determinar os estágios da gravidez”, afirma.

Recorte O estudo sobre a depressão materna foi realizado com mais de 8.200 mulheres de 19 centros de sete países, e foi publicado no mês passado na revista especializada “Lancet Psychiatry”

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