Sobre solidão e motivações

Cultura Arte e Poder exibe obra mais recente de Cao Guimarães e documentário sobre trabalho de Glauber Rocha

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Atual. “Homem das Multidões” mostra dia a dia de um funcionário do metrô de Belo Horizonte
Espaço Filmes / divulgação
Atual. “Homem das Multidões” mostra dia a dia de um funcionário do metrô de Belo Horizonte

Em sua sexta edição como parte do Festival de Arte Contemporânea (VAC), a seção cinematográfica Cultura, Arte e Poder promove exibição de filmes que se relacionam com algum dos três substantivos que dão nome à mostra. Uma tarefa que inicialmente pode parecer fácil, uma vez que esses pilares sustentam uma imensidão de obras. No entanto, há filtros que ajudam a dar um contorno mais preciso, além de identidade, para a curadoria.

“Fazemos a curadoria o ano inteiro. Enquanto eu vou para mostras e trago as obras, a Ivone (do Grupo Oficcina Multimédia) recebe minhas indicações e juntos avaliamos. Isso é bom porque eu acabo estabelecendo relações afetivas com diretores e produtores e ela não”, conta o curador Sávio Leite ao comentar sobre o equilíbrio mantido por eles no decorrer do processo de escolha.

Somado a isso, Leite conta que ambos fazem questão de aproveitar apenas filmes que, de alguma forma, tragam consigo uma mensagem de reflexão às pessoas, que não entraram em cartaz ou que sejam pouco conhecidos pelo grande público.

Dentro da programação, será exibido nesta segunda, às 21h, o último filme distribuído de Cao Guimarães, “O Homem das Multidões”. Parte final da “Trilogia da Solidão” – antes dele vieram “Alma do Osso” (2004) e “Andarilho” (2007) –, o longa foi premiado no Festival de Guadalajara e no Festival do Rio.

Para Leite, a narrativa que aborda a solidão das grandes cidades por meio do homem que trabalha no metrô foi engrandecida pela utilização de recursos técnico bem aplicados. “A decisão dos diretores (Marcelo Gomes também assina a direção do longa) de usarem o formato mais quadrado da tela com a textura envelhecida dá uma dimensão que reflete o que o personagem está sentindo”, comenta.

Na quarta-feira, às 19h, a mostra exibe o documentário “Anabazys – Anatomia do Sonho – O Terceiro Testamento de Glauber Rocha”. Nele, os diretores Paloma Rocha e Joel Pizzini fazem um tipo de inventário sobre as motivações e repercussão do cineasta sobre “A Idade da Terra” (1980).

“Eu fiz mestrado sobre Glauber e acho que a escolha de falar sobre esse filme é muito oportuna, pois é um filme sem começo, meio e fim, e na época de seu lançamento não foi bem aceito pela crítica, o que deixou ele furioso”, relembra.

Para explicar a escolha desses longas, o curador costura ideias. “No filme do Cao, o personagem retrata a política do cotidiano de um homem comum. Já a obra sobre Glauber é uma proposta de discutir também sobre política sem abrir mão da arte, algo que é presente em todos seus trabalhos”, diz Leite, que aproveita para indicar também outro filme: “‘Em Trânsito’, de Marcelo Pedroso, é um relato muito interessante da indústria automobilística que ganhou mais evidência por contar com a figura de Eduardo Campos antes dele morrer”.

Veja a programação completa em www.veraoarte.com.br

Agenda

O quê. Mostra Cultura Arte e Poder

Quando. Até quinta-feira

Onde. Cine Humberto Mauro (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entrada gratuita

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