Líderes vão se reunir para discutir solução de conflito

Chefes de Estado de quatro países se encontram na quarta

iG Minas Gerais |

Soldado rebelde pró-Rússia rasga bandeira da Ucrânia
ANDREY BORODULIN
Soldado rebelde pró-Rússia rasga bandeira da Ucrânia

Munique, Alemanha. Os chefes de governo de quatro países europeus concordaram em fazer uma reunião de cúpula na quarta-feira em Minsk, na Belarus, na tentativa de chegar a uma “solução ampla” para o conflito na Ucrânia. Angela Merkel, da Alemanha, François Hollande, da França, Vladimir Putin, da Rússia e Petro Poroshenko, da Ucrânia, discutiram a ideia durante uma teleconferência neste domingo, disse um porta-voz da chanceler alemã.

Representantes dos quatro países continuarão a trabalhar em uma proposta de acordo hoje em Berlim, informou o porta-voz. Putin, citado pela agência russa Interfax, fez a ressalva de que o encontro de cúpula da quarta-feira só acontecerá “se conseguirmos concordar em torno de uma série de posições que temos discutido intensamente”.

Nos últimos dias, as divergências entre os EUA e seus aliados europeus sobre como lidar com a crise ucraniana ganharam destaque na Conferência de Segurança de Munique. Durante o encontro anual de representantes dos EUA e de seus aliados, Washington indicou que é favorável ao fornecimento de armas para o governo do presidente ucraniano Petro Poroshenko. A Alemanha e outros países europeus são contra.

Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Stenmeier, reuniu-se com um grupo de senadores norte-americanos do Partido Republicano que estão em visita à Alemanha. Para esses senadores, Berlim está “voltando as costas à Ucrânia” ao se opor ao fornecimento de armas a Kiev. “Vejo isso, para dizer abertamente, não apenas como arriscado, mas também como contraproducente. Já não estamos perto de um ponto de não-retorno, no qual as soluções na mesa de negociações acabam desaparecendo?”, questionou o ministro alemão.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, apressou-se a dizer que “não há divisão” entre seu país e os aliados europeus, mas anunciou que os EUA vão prover mais “assistência” à Ucrânia, além de apenas ajuda econômica – deixando a porta aberta para o eventual fornecimento de armas norte-americanas para Kiev.

Um alto funcionário da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse durante entrevista coletiva em Munique que há o temor de que entregas de armas ao governo ucraniano “possa tornar essa crise em um conflito no qual a Rússia defenderia sua própria existência contra a Otan”.

Para o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, po sua vez, Putin, atua como “um tirano da metade do século XX”, e deveria “adaptar seu comportamento ao declínio da economia” de seu país. Em declarações à Sy News, Hammond disse que neste momento seu país não fornecerá armas à Ucrânia, ainda que Londres possa mudar de opinião. “Esse homem enviou tropas do outro lado de uma fronteira internacional e ocupou o território de outro país em pleno século XXI, atuando como um tirano do século XX”, declarou Hammond, em referência ao papel da Rússia no conflito no leste da Ucrânia.

Mortos

Números. O presidente Petro Poroshenko afirmou sábado, em Munique, que quase 1.500 soldados das tropas ucranianas foram mortos desde abril do ano passado.

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