Juca Kfouri: 'Se não mudar a gestão, toma de sete outra vez'

Jornalista renomado comenta momento do futebol brasileiro, política no esporte e, também, sobre os clubes mineiros

iG Minas Gerais | VINÍCIUS SILVEIRA* |

Juca Kfouri analisa o momento do futebol brasileiro, das equipes de Minas Gerais e do movimento Bom Senso F.C
MARCELO PEREIRA DIVULGAÇÃO
Juca Kfouri analisa o momento do futebol brasileiro, das equipes de Minas Gerais e do movimento Bom Senso F.C

Um dos nomes mais importantes do jornalismo esportivo brasileiro, Juca Kfouri conversou com a reportagem do Super FC sobre diversos assuntos, mas deixou claro que existe a necessidade de uma mudança de gestão dos clubes e das federações para que o futebol volte a crescer no país.

De onde vem seu gosto por jornalismo?

Tenho jornalismo no sangue, porque meu avô materno, Luis Amaral, foi o primeiro jornalista a entrevistar o ex-presidente Luis Carlos Prestes, na Coluna Prestes. Mas queria seguir carreira universitária, ser professor. Quando a Editora Abril estava lançando a revista Placar, me convidaram para trabalhar na área de pesquisa jornalística, e quando terminei a faculdade e comecei minha pós-graduação, surgiu a chance de chefiar a equipe de reportagem da Placar. Quando menos pensei, estava inoculado pelo vírus do jornalismo.

Você sempre diz que não existe liberdade de imprensa, mas liberdade de empresa. Algum dia isso pode mudar?

Eu acho que à medida em que o processo democrático avança no Brasil, isso é inescapável. Até porque, quando você deixa de dar uma notícia só porque essa notícia fere os interesses da empresa em que você trabalha, você está fazendo mau jornalismo. E em uma sociedade cada vez mais democrática, se fiscalizará quem faz esse tipo de coisa.

Você entende que a lei Pelé é um mal no futebol ou existe algo que veio a contribuir?

A lei Pelé é uma lei que não veio a dar lugar aos empresários, apesar de terem estuprado essa lei no Congresso Nacional. Mas quero pegar a essência dessa lei no que diz respeito ao fim da lei do passe, foi na lei Bosman que a lei do passe teve fim. Então, antes da lei Pelé, o clube era dono do jogador, pois ele era ligado ao atleta mesmo depois do fim do contrato. Por isso que a lei Pelé deu ao jogador algo que é inestimável, que são os direitos humanos, com o livre arbítrio de querer trabalhar onde quiser. E já passando nesse campo empresarial, o atleta não é obrigado a ter empresário, ele o escolhe.

Em 2015, o futebol brasileiro vai perder os investidores. Você acha que a tendência são as transferências milionárias caírem vertiginosamente?

Primeiro você tem uma crise mundial que afeta diretamente os mercados compradores e que dá lugar aos mercados da China, da Arábia, e da Ucrânia. Enquanto o Brasil é a sétima economia mundial, a Ucrânia está em 52º lugar, mas chega aqui e leva quem quiser. Ou seja, enquanto não houver uma mudança no modelo de gestão, um choque de gestão no futebol brasileiro, nós vamos continuar exportando jogadores para o estrangeiro e tomando sete da Alemanha.

Você acredita que os altos salários pagos pelos clubes complicam todos os problemas citados anteriormente?

Olha que país maluco em que nós vivemos. Um movimento de jogadores chamado “Bom Senso” quer colocar teto no salário deles, e os cartolas não querem. E porque eles não querem? Porque isso reduziria as comissões que recebem em alguma transferência.

Você acredita que o Bom Senso terá futuro?

Eu acho que se o Bom Senso não tiver futuro, o futebol brasileiro também não terá. Acho que o Bom Senso é a melhor coisa que surgiu no futebol brasileiro nos últimos 50 anos.

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