Complicar não é preciso

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A evolução no futebol, nos últimos anos, tem sido diminuir a importância do jogador que atua em pequenos espaços, embora, às vezes, eles sejam decisivos, e valorizar mais os que fazem mais de uma função, desde que tenham talento. Não adianta correr sem pensar. Mas não se deve confundir os jogadores que, durante um jogo, fazem mais de uma função com os que atuam em várias posições, em partidas diferentes. Quando o atacante Rooney, um ótimo finalizador, volta para receber a bola em seu campo, para, depois, chegar ao ataque, não significa que ele possa fazer, com a mesma eficiência, o sentido inverso, ou seja, atuar de volante, para, depois, chegar à frente, como tem sido escalado por Van Gaal, no Manchester United. Rooney, por ser um jogador inteligente, joga bem também de volante, mas não é seu lugar. Isso o prejudica e ao time. Os moderninhos adoram elogiar o técnico que muda a posição dos jogadores, mesmo sem motivo, como se isso fosse moderno. Tenho muita admiração pelo criativo Guardiola, mas discordo quando ele exagera em suas invencionices, ao colocar dois excepcionais laterais, Alaba e, especialmente, Lahn, no meio-campo ou na zaga, como, algumas vezes, joga Alaba. Pior, os laterais escalados são fracos para o nível do Bayern. Lahn está contundido. O técnico da seleção alemã fez o mesmo na Copa, percebeu o erro, voltou Lahn para a lateral, e o time ficou muito melhor. Mourinho, o “number one”, apelido dado por ele próprio, improvisa o lateral-direito Azpilicueta, apenas um bom marcador, pela esquerda e deixa na reserva Filipe Luís, muito bom na marcação e no apoio. Dunga está certo em escalá-lo na seleção, mas erra ao não convocar Marcelo, uma excelente opção, em algumas situações, por ser um excepcional apoiador. Ancelotti não tem a fama de Mourinho nem de Guardiola, mas é um técnico que executa muito bem tudo o que é essencial, no momento certo. Entre vários motivos, critico os técnicos brasileiros por terem, durante os últimos tempos, contribuído para a queda do nosso futebol, mas colocar jogadores nos lugares errados não é uma de suas deficiências. Além disso, muitos têm evoluído. De vez em quando, vejo equipes com ótima qualidade coletiva. É preciso que isso se torne quase uma rotina. Prêmio. Sei que colunista não deveria falar de si mesmo. Porém, como tenho minhas fraquezas e preciso esclarecer, informo que recebi o prêmio Manuel Vázquez Montalbán, anual e tradicional em toda a Espanha, concedido pelo colégio de jornalistas da Catalunha, com apoio da Fundação Barcelona. Fiquei orgulhoso, contente, principalmente pela enorme surpresa. Para quem não sabe, Montalbán foi um grande escritor espanhol, especialmente, de ficção policial. José Trajano adora seus personagens, como o Detetive Pepe Carvalho. Montalbán é o Rubem Fonseca da Espanha. Esclareço, ainda, que não é um prêmio de melhor colunista, como foi noticiado. É para qualquer profissional que, com seus textos, tenha contribuído, de alguma forma, com o futebol.

Contratações Apesar de o Atlético ter, na mesma posição, um de seus principais jogadores – Dátolo–, foi boa a contratação do habilidoso colombiano Cárdenas. Dátolo pode atuar mais pela esquerda, sua posição de origem, saindo Carlos, ou de segundo volante, em situações especiais. Gostei também da contratação de Paulo André, pelo Cruzeiro. É um zagueiro alto, seguro, bom na jogada aérea, experiente, além de culto, inteligente, contestador e um dos líderes do Bom Senso F. C. Parabéns ao Cruzeiro pela coragem de contratá-lo. Parabéns também aos vencedores do Troféu Guará, promovido pela Rádio Itatiaia, a mais tradicional eleição dos melhores do ano em Minas Gerais. A festa será amanhã.

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